Chuva recorde em São Paulo sinaliza início de cenário climático mais extremo devido ao El Niño
Fenômeno atinge níveis históricos e pode provocar desastres até o final do ano
A cidade de São Paulo teve seu setembro mais chuvoso em mais de 80 anos, com impactos que podem ser sinais de um Super El Niño, um dos mais fortes das últimas décadas, provocando ondas de calor, temporais e riscos de deslizamentos.
Segundo o Centro de Meteorologia, as chuvas ocorridas em São Paulo em setembro atingiram 253,8 milímetros, o que não acontecia há mais de 80 anos na cidade, marcando o mês mais chuvoso desde pelo menos 1940. Especialistas destacam que essa forte precipitação é reflexo dos efeitos do fenômeno climático El Niño, que, neste ano, se mostrou extremamente intenso e deve continuar influenciando o clima até o final de 2023.
O El Niño ocorre quando há um aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico, provocando alterações na circulação de ventos e na formação de chuvas em grande escala. Segundo quem explicou a fonte, esse evento, considerado um dos maiores das últimas décadas, pode gerar impactos globais que duram até 2027. No Brasil, as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste já sentem os efeitos: tempestades mais frequentes, aumento na ocorrência de vendavais com frentes frias e temperaturas elevadas, sobretudo nas áreas mais ao norte do Sudeste e do Centro-Oeste, além do Norte e Nordeste.
Além do dado histórico, as chuvas que castigaram São Paulo não foram isoladas. Ainda segundo informações da mesma fonte, o evento climático vem causando estragos em várias regiões do estado, incluindo a cidade de Eldorado, no Vale do Ribeira, que ficou completamente inundada. Ainda não há confirmação sobre vítimas em outras regiões, mas o episódio deixou dois mortos e uma pessoa desaparecida desde o último fim de semana, indicando o grau de intensidade dos temporais.
O impacto do El Niño não se limita às chuvas. O aumento da temperatura da superfície do mar globalmente atingiu a marca de 21,1°C em agosto, batendo recorde histórico segundo o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF) e o Copernicus, programa da União Europeia dedicado à observação da Terra. Essa elevação de temperaturas contribui para o aquecimento das regiões costeiras brasileiras, aumentando o risco de ressacas marítimas e vendavais fortes, além de potencializar eventos meteorológicos extremos.
Segundo Alexandre Nascimento, meteorologista da Nottus, o fenômeno já é considerado muito forte e deve se intensificar nos próximos meses, atingindo níveis históricos. Ele explica que as condições atuais, marcadas por ondas de calor e chuvas intensas, estão diretamente relacionadas à circulação de ventos no Pacífico Central, que foi alterada pelo aquecimento das águas e pelo planeta aquecido. Ainda não há uma previsão exata do pico do fenômeno, mas as evidências indicam que o impacto na infraestrutura, na agricultura e na vida das comunidades costeiras continuará a se agravar.
O que sabemos?
- O mês de setembro mais chuvoso em São Paulo em mais de 80 anos, com 253,8mm de precipitação.
- As chuvas e o aquecimento do mar estão associados ao intenso e possivelmente recorde Super El Niño.
- Desastres ambientais, incluindo mortes e regiões totalmente inundadas, ocorreram em várias áreas de São Paulo.
- O aquecimento global, influenciado pelo El Niño, está elevado a níveis históricos, podendo afetar o clima até 2027.
Fontes
- CNN Brasil imprensa



