Chuva de granizo no Sul de Minas ameaça safra de café até 2028
Especialistas alertam que o temporal pode causar prejuízos duradouros às lavouras da região
O episódio de granizo ocorrido recentemente no Sul de Minas causou danos significativos às plantações de café, com impactos que podem se estender por vários anos. Produtores e especialistas discutem as consequências e as ações recomendadas.
Uma forte chuva de granizo atingiu o Sul de Minas nas últimas semanas, provocando prejuízos consideráveis na produção de café na região, segundo informações de fontes próximas ao setor agrícola. A tempestade causou danos visíveis em lavouras, especialmente em Três Corações, onde o cafeicultor Sérgio Nabak relatou que 30% de sua área de 50 hectares foi afetada, com pedras de gelo espalhadas pelas plantações e folhas destruídas. Nabak descreveu a situação com tristeza ao afirmar: "Tristeza, né? Porque é café que a gente esqueletou, é trabalho que a gente vinha de ano, e você vê que vai tudo água abaixo. A gente fica triste".
Especialistas indicam que os efeitos dessa intempérie vão além do prejuízo imediato. De acordo com o engenheiro agrônomo Guilherme Gaudêncio, da Procafé, o impacto pode durar até três anos, dependendo do grau de severidade dos danos. Ele explica que nas áreas menos atingidas, medidas curativas, como aplicação de fungicidas e nutrição adequada, podem minimizar perdas, mas nas regiões mais severamente impactadas, os danos são mais profundos, comprometendo a planta por vários anos. "Perde-se muitas folhas, muitos ramos, além das flores. A planta fica muito depauperada e ela perde a fonte de energia para os próximos ciclos", detalhou. Ainda segundo Gaudêncio, a época da florada, que ocorre entre setembro e novembro, é crucial para a formação da safra, o que reforça a preocupação com os efeitos da chuva de granizo nesse período vital para o café.
O produtor Sérgio Nabak revelou que, após a tempestade, será necessário realizar um trabalho de esqueletamento na lavoura, com custos adicionais de mão de obra, para que a plantação possa se recuperar e produzir a partir de 2028. Ele ainda destacou a incerteza sobre os gastos futuros: "Eu não sei o que eu vou gastar ainda, tenho que fazer as contas, mas é só o prejuízo agora para frente". Uma das ações recomendadas por profissionais da área é a documentação técnica dos prejuízos por meio de laudo agronômico, uma orientação do especialista em Direito no Agronegócio Vinicius Barquette, que orienta os produtores a buscarem auxílio junto às seguradoras ou instituições financeiras para renegociar dívidas de crédito rural, caso necessárias.
Segundo Barquette, o primeiro passo diante de uma situação assim é registrar de forma detalhada os danos causados, para facilitar futuras reivindicações ou negociações. Ainda não há informação oficial de que algum órgão público tenha anunciado medidas específicas, e o próprio clube ou entidade representativa do setor na região ainda não se pronunciou oficialmente. A expectativa é que, com o registro adequado e a compreensão dos impactos de longo prazo, os produtores possam receber o suporte necessário para atravessar esse momento difícil.
O que sabemos?
- Granizo atingiu o Sul de Minas recentemente.
- Produtor Sérgio Nabak teve 30% de sua lavoura afetada.
- Danos podem comprometer a produção por até três anos.
- Especialistas recomendam documentar prejuízos com laudo agronômico.
Fontes
- G1 imprensa





