Exploração de petróleo na costa do Amapá provoca preocupações ambientais
Autorizações para perfuração de poços acendem debate sobre os riscos aos ecossistemas do estado
A Petrobras obteve autorização para perfurar três poços no Bloco FZA-M-59 na costa do Amapá, região reconhecida por seus ecossistemas sensíveis como o Grande Sistema de Recifes da Amazônia e extensos manguezais. Ambientalistas e o Ministério Público Federal questionam os riscos à biodiversidade local, enquanto a empresa afirma atuar com responsabilidade.
O avanço na exploração petrolífera na costa do Amapá trouxe à tona uma série de preocupações ambientais que ainda precisam ser esclarecidas. Segundo fontes do Ministério Público Federal, a Petrobras recebeu permissão para perfurar três novos poços no Bloco FZA-M-59, uma área que abriga ecossistemas considerados de importância global, como o Grande Sistema de Recifes da Amazônia (GARS) e o maior corredor contínuo de manguezais do mundo, que se estende do Amapá ao Maranhão.
A autorização para perfuração, ainda não confirmada oficialmente por instituições ambientais, ocorre num momento em que há uma descoberta de petróleo no poço Morpho, reforçando o interesse da Petrobras pela região. Ainda de acordo com o que foi divulgado por fontes, o Brasil realizou, no leilão de 2025, a arrematação de 19 blocos de exploração, além de estudar outros 36 para futuras rodadas, demonstrando uma forte aposta na exploração de suas potencialidades petrolíferas.
Especialistas alertam que a costa amapaense possui características únicas de sensibilidade ambiental, com uma hidrodinâmica que a diferencia de outros campos petrolíferos do país. A doutora em Geologia e Geofísica Marinha, Valdenira dos Santos, explicou que a maior parte da costa é composta por manguezais e florestas de várzea, dificultando os esforços de limpeza em caso de acidentes. Ela destacou que, se ocorrer um vazamento, a dificuldade de remediação será proporcional à sensibilidade do ecossistema.
Em entrevista à Rede Amazônica, Valdenira ressaltou que a interface entre o mar profundo e a litoral ainda é pouco estudada, criando um “gap” de informações crucial para entender os riscos. Ela comentou: "Conhecemos mais a borda da plataforma continental do que a interface do litoral em direção ao mar profundo". Essa lacuna é preocupante, já que a região abriga o GARS — um ecossistema de recifes que prosperam sob águas turvas, sustentando mais de 40 espécies de corais e 60 de esponjas, além de importantes recursos pesqueiros.
Além disso, a região é considerada uma das mais sensíveis do planeta, com um índice de sensibilidade ambiental máximo, segundo a especialista. O impacto potencial de uma crise nesse ecossistema poderia ser irreversível, afetando a biodiversidade e as comunidades locais que dependem da pesca e da preservação ambiental. Apesar do posicionamento da Petrobras de atuar com “rigor técnico e responsabilidade ambiental”, entidades como o Greenpeace já manifestaram preocupação com os riscos cumulativos, especialmente diante da exploração de petróleo em áreas protegidas e terras indígenas.
O Ministério Público Federal também pediu explicações ao Ibama, órgão responsável pelo licenciamento ambiental, devido às divergências em processos anteriores relacionados à perfuração na Foz do Amazonas. Ainda não há confirmações oficiais sobre o conteúdo dessas investigações, e o clube oficial da Petrobras não se pronunciou até o momento. Assim, o debate sobre a segurança da exploração e seus possíveis impactos ambientais continua em aberto, com a ciência buscando preencher as lacunas de conhecimento sobre como evitar danos irreparáveis em um patrimônio natural de enorme valor global.
O que sabemos?
- A Petrobras obteve autorização para perfurar 3 poços no Bloco FZA-M-59.
- A área de exploração inclui o Grande Sistema de Recifes da Amazônia e manguezais contínuos.
- A região possui características hidrodinâmicas altamente sensíveis, dificultando ações de remediação.
- O leilão de 2025 arrematou 19 blocos de exploração de petróleo.
- A área abriga ecossistemas raros e importantes para a biodiversidade global.
Fontes
- G1 imprensa





