Tecnologia

Instituição de Ensino prepara mudanças na formação médica com foco em inteligência artificial

Em apuração ?

Universidade brasileira incluirá disciplina sobre IA na grade do curso de medicina até 2027

Estudantes de medicina em sala de aula, com destaque para computador e elementos tecnológicos
Imagem: CNN Brasil

Pesquisadores e profissionais da saúde discutem a importância da inteligência artificial na futura formação médica, prevendo maior integração na prática clínica e prevenção.

Na manhã desta segunda-feira (6), um debate realizado na Casa Lide, em São Paulo, trouxe à tona a discussão sobre a inclusão da inteligência artificial (IA) na formação dos futuros médicos no Brasil. Segundo fontes do evento, pesquisadores, médicos e empresários aproveitaram a ocasião para defender a necessidade de atualizar os cursos de medicina, incorporando conhecimentos sobre essa tecnologia que vem revolucionando diversas áreas, especialmente a saúde.

Segundo Dimas Covas, médico, pesquisador e ex-diretor do Instituto Butantan, ainda não confirmado oficialmente, a IA deve ser encarada como uma realidade incontornável na medicina moderna. Ele declarou à CNN Brasil que é vital que as universidades brasileiras comecem a preparar seus estudantes para lidar com essas ferramentas, elevando a capacitação dos profissionais a um novo patamar. Ainda segundo o especialista, essa mudança é crucial para garantir que os médicos estejam aptos a utilizar as inovações tecnológicas em benefício dos pacientes.

Durante o painel, a médica e pesquisadora da Fiocruz, Dra. Margareth Dalcolmo, salientou que a inteligência artificial não substituirá os especialistas, mas ajudará o médico a oferecer uma atenção mais humanizada ao devolver mais tempo para o contato com o paciente. Ela aponta que a tecnologia também desempenhará papel importante na prevenção de doenças, por meio de sistemas capazes de identificar riscos e auxiliar na tomada de decisão.

Um exemplo dessa tendência já em desenvolvimento no Brasil é a Universidade Brasil, que, segundo Fernando Costas, presidente da instituição, planeja incluir uma disciplina sobre inteligência artificial na grade do curso de medicina, com previsão para início até o primeiro semestre de 2027. Este movimento indica uma preocupação em acompanhar as inovações internacionais e preparar os futuros profissionais para o uso de tecnologias avançadas na prática clínica e na pesquisa.

Publicidade

Por sua vez, o diretor de Saúde Digital na FMUSP (Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), Carlos Carvalho, explicou que, atualmente, IAs generativas, como ChatGPT e Gemini, já oferecem orientações em saúde, embora apresentem limitações. Segundo ele, o maior desafio hoje é a insuficiência de bases de dados confiáveis, que impedem que essas ferramentas respondam a todas as dúvidas com segurança. Ainda assim, Carvalho defende que o aprofundamento do uso preventivo de IA, integrando informações desde a infância até a fase adulta, é fundamental. Ele ainda destaca o potencial do uso da tecnologia na genética, permitindo que médicos acessem informações sobre genes familiares que possam influenciar a saúde do paciente futuramente, promovendo uma medicina mais personalizada.

Além disso, as telemedicinas aparecem como uma solução que pode transformar o atendimento no Brasil. Em 2020, Carvalho liderou um projeto de Tele-UTI obstétrica conectada, que monitorou gestantes em condição de risco 24 horas por dia, durante a pandemia, ajudando na prevenção de complicações e salvando vidas. Segundo ele, uma em cada duas pacientes atendidas por esse projeto foi salva. A iniciativa, que está em fase de aprovação pelo Ministério da Saúde, espera-se que seja ampliada para o SUS em 2026, após a obtenção dos recursos necessários.

Essa movimentação indica que, embora ainda esteja em fase de testes, a área de saúde brasileira já começa a integrar de forma mais efetiva as inovações tecnológicas, demonstrando a importância de uma atualização contínua na formação dos profissionais. Assim, a expectativa é que, nos próximos anos, a inteligência artificial seja cada vez mais presente na rotina médica e nos sistemas de atendimento, reforçando o papel da tecnologia na promoção de uma saúde mais eficiente e preventiva.

Publicidade

O que sabemos?

  • Universidade Brasil pretende incluir disciplina de IA na medicina até 2027
  • Especialistas destacam que IA contribuirá para uma medicina mais preventiva e humanizada
  • Projeto de Tele-UTI obstétrica ajudou a salvar vidas durante a pandemia
  • Uso de IA na genética pode proporcionar informações valiosas desde a infância

Fontes

Publicidade