Decisão do TSE exige remoção de vídeo com inteligência artificial que simula candidatos
Ministro André Mendonça ordena retirada de conteúdo não identificado como manipulação por IA
Um vídeo publicado nas redes sociais que usava inteligência artificial para representar candidatos foi parcialmente removido a pedido do TSE, após questionamentos sobre falta de transparência.
Na terça-feira (1º), o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu ordenar a remoção de um vídeo com imagens geradas por inteligência artificial, divulgado pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ). Segundo o magistrado, o vídeo, que mostra representações de Lindbergh, Lula e Benedita da Silva em uma coreografia sincronizada com pedido de voto, não informava de forma clara que as imagens haviam sido criadas ou manipuladas por IA, o que viola as regras para as próximas eleições de 2026. Ainda não há confirmação oficial de que o conteúdo foi especificamente manipulado por IA, mas Mendonça afirmou haver "elevada probabilidade" de isso ter ocorrido, destacando a ausência de avisos, rótulos ou marca d'água que identificassem o uso da tecnologia. A decisão foi tomada após uma ação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que solicitou a remoção do vídeo, o que levou Mendonça a estabelecer um prazo de 24 horas para que tanto Lindbergh quanto a Meta, dona do Instagram, remova o conteúdo, preservando registros e metadados ligados à publicação.
Importante notar que essa liminar ainda será apreciada pelo plenário do TSE. A expectativa é que a Corte julgue um caso semelhante que envolve outro vídeo com inteligência artificial, exibido durante uma convenção que oficializou a candidatura de Jair Bolsonaro (PL). Essa discussão é vista como um passo importante para consolidar regras sobre o uso de IA na comunicação política durante o próximo ciclo eleitoral. Ainda não há um entendimento final do tribunal sobre o tema, e o julgamento deve definir parâmetros jurídicos que podem impactar o combate às fake news no Brasil.
Paralelamente, alguns atores políticos continuam movimentando o cenário jurídico. Lindbergh Farias, por sua vez, protocolou uma petição no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo o afastamento do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em meio às revelações de novas transferências financeiras envolvendo o apoiador de Jair Bolsonaro. Segundo a fonte, Lindbergh solicitou ao STF que a Procuradoria-Geral da República avalie o pedido de afastamento do mandato de Flávio, associado a um repasse de US$ 1,66 milhão feito por Daniel Vorcaro para a produção de um filme sobre o ex-presidente Bolsonaro. A estratégia visa ampliar as investigações sobre os vínculos do senador e de seus apoiadores, enquanto um pedido de investigação e transparência está na pauta das discussões políticas e jurídicas.
Finalmente, o cenário político e tecnológico parece caminhar para maior atenção às estratégias de manipulação de imagens e informações, com o uso de inteligência artificial ganhando espaço tanto na comunicação quanto na judicialização de assuntos eleitorais. A decisão do TSE reflete a preocupação em garantir eleições transparentes e livres de fake news, especialmente no contexto do avanço acelerado dessas tecnologias. Até o momento, nenhuma outra confirmação oficial foi dada sobre a origem ou manipulação do vídeo além do que foi divulgado pelas autoridades e fontes do tribunal.
O que sabemos?
- Ministro Mendonça ordenou remoção de vídeo com IA que simula candidatos
- Vídeo foi publicado por Lindbergh Farias no Instagram em 27 de agosto
- Alvo da ação foi por falta de identificação do uso de IA, conforme decisão do TSE
- Meta, dona do Instagram, deve remover o conteúdo e preservar registros
- Decisão é temporária e ainda será analisada pelo plenário do TSE
- Outro caso semelhante envolvendo vídeo com IA de Jair Bolsonaro está sendo julgado pelo TSE
- Lindbergh pediu ao STF o afastamento do senador Flávio Bolsonaro devido a repasses financeiros
Fontes
- CNN Brasil imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa





