Startup na Índia usa cães treinados com inteligência artificial para detectar câncer
Inovação busca melhorar diagnóstico precoce de doenças oncológicas por meio do olfato canino ativado por tecnologia avançada
Empresa de Bangalore desenvolve método com cães equipados com sensores impressos em 3D para farejar sinais de câncer, combinando o talento natural dos animais com análise de IA.
Uma startup de Bangalore, na Índia, está explorando uma abordagem inovadora para a detecção precoce do câncer ao combinar o olfato apurado dos cães com tecnologias de inteligência artificial (IA). Segundo fontes da própria empresa, a Dognosis está treinando cachorros para identificar odores relacionados a diferentes tipos de câncer, usando equipamentos especiais que ajudam a entender e melhorar o processo. A iniciativa, que ainda está em fase experimental, pretende lançar um método comercial até 2027, seguindo os passos de empresas semelhantes na Alemanha e Israel.
De acordo com Akash Kulgod, cofundador da Dognosis, o método envolve cães treinados para farejar amostras de hálito humano com uma tecnologia que registra suas reações. Os animais usam capacetes e coleiras impressos em 3D, equipados com sensores que analisam a atividade cerebral, a respiração e a linguagem corporal durante as farejadas. "Eles podem farejar mil vezes por hora", afirmou Kulgod. Cada farejada de um cão é considerada uma avaliação de uma amostra, potencialmente capaz de contribuir para uma triagem inicial, antes de exames mais aprofundados e invasivos.
Segundo a empresa, o procedimento consiste em o paciente respirar dentro de uma máscara de algodão por cerca de 10 minutos, a qual é então colocada em um saco e enviada ao laboratório. Lá, um cão treinado fareja a amostra, ajudando na identificação de possíveis sinais de câncer. Um estudo realizado com aproximadamente 1.500 participantes em seis hospitais de Karnataka, estado no sul da Índia, indicou uma taxa de precisão de cerca de 90% na detecção de sete tipos diferentes de câncer. Ainda assim, especialistas locais demonstraram certa cautela em relação às conclusões, afirmando que os resultados são promissores mas precisam ser confirmados com uma amostra maior antes de aplicação em larga escala.
Pesquisadores e profissionais de saúde apontam que as substâncias químicas liberadas pelo corpo durante a desenvolvimento de doenças como o câncer podem gerar odores específicos, reconhecidos pelos cães. Ainda não há, oficialmente, uma posição final sobre a eficácia do método, e a própria startup admite que o estudo ainda está em fase inicial, aguardando validação por partes do meio médico. Contudo, a ideia de unir a inteligência artificial aos sentidos naturais dos cães promete abrir novas possibilidades para diagnósticos mais acessíveis e menos invasivos, especialmente em regiões onde o diagnóstico precoce ainda enfrenta obstáculos, como na Índia, onde muitos pacientes só descobrem a doença em estágios avançados.
O que sabemos?
- Startup de Bangalore usa cães treinados com IA para detectar câncer.
- Cães equipados com capacetes e coleiras impressas em 3D, com sensores.
- Estudo com 1.500 participantes indicou 90% de precisão em teste experimental.
- Método baseia-se no fato de odores químicos mudarem no corpo durante o câncer.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa


