Reforço de soldados norte-coreanos na guerra da Rússia contra a Ucrânia levanta suspeitas de intensificação do conflito
Novas estimativas apontam envio de milhares de soldados de Kim Jong-un para apoiar Moscou em combate na fronteira com a Ucrânia
Segundo fontes ainda não confirmadas oficialmente, a Coreia do Norte estaria enviando mais militares para o combate na Rússia, enquanto alguns de seus soldados iniciais permanecem na região de Kursk.
Uma nova onda de soldados norte-coreanos teria sido enviada para apoiar as forças russas no conflito contra a Ucrânia, de acordo com informações divulgadas por uma fonte que prefere não se identificar. Segundo essa fonte, enquanto inicialmente cerca de 13 mil militares norte-coreanos foram destacados para atuar na região de Kursk, na Rússia, o número atual de soldados ainda presente por lá varia entre 8,5 mil e 10 mil, organizados em quatro brigadas que fazem parte do Grupo de Forças "Norte". Ainda não há uma confirmação oficial completa sobre essa quantidade, mas fontes de defesa ucranianas estimam que esses soldados estejam atuando na defesa da fronteira da Rússia contra possíveis ataques ucranianos, especialmente na região de Kursk, sem envolvimento direto em operações de combate.
O mesmo informante relatou que a presença desses militares norte-coreanos é considerada uma aposta do líder norte-coreano Kim Jong-un, que enviou seu maior contingente de soldados ao exterior desde 1973, quando enviou 1,5 mil militares ao Egito durante a guerra do Yom Kippur. Historicamente, a Coreia do Norte também enviou soldados ao Vietnã do Norte na década de 1960, incluindo cerca de 87 pilotos que lutaram contra as forças americanas. Essas experiências moldaram a doutrina militar do país, que acredita que a participação em conflitos internacionais pode consolidar seu poder, mesmo perante seu isolamento global.
De acordo com informações do Ministério da Defesa da Ucrânia, essa força de militares norte-coreanos não participaria de operações ativas de combate, e as forças ucranianas teriam detectado sua presença somente na fase de defesa na fronteira. Ainda assim, declarações do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, apontam para um possível retorno dessas tropas ao front de batalha. Ainda na época, em agosto, Zelensky alertou que até 50 mil militares norte-coreanos poderiam ser enviados para atuar ao lado da Rússia, uma estimativa que revisou para cima de uma previsão anterior de 30 mil soldados. Zelensky inclusive convocou a Coreia do Sul a fornecer apoio na defesa aérea.
Por que a Coreia do Norte estaria reforçando sua presença na guerra após tantas perdas e baixas? Segundo o pesquisador Yang Uk, do Centro de Política Externa e Segurança Nacional do Instituto Asan, de Seul, esses soldados continuam na Rússia para proteger o território russo contra um possível novo contra-ataque da Ucrânia. Ele explicou que a maior parte das equipes de engenharia ou trabalhadores podem estar na região de Donbas, ocupada pela Rússia, mas as tropas de combate permanecem em uma posição de defesa, sem envolvimento direto nas operações mais ativas. Além disso, a presença de militares norte-coreanos na Rússia evidencia uma estratégica de parceria que busca fortalecer a influência de Kim Jong-un no cenário internacional, apesar do isolamento do país. Ainda não há uma confirmação oficial de que o exército norte-coreano estaria participando de forma direta em combates na Ucrânia ou em território russo, mas os sinais apontam para uma presença militar significativa e potencialmente crescente.
O que sabemos?
- Até 8,5 mil militares norte-coreanos ainda estão em território russo, organizados em quatro brigadas.
- A força de soldados norte-coreanos não participa de operações ativas de combate, segundo a Ucrânia.
- O líder norte-coreano Kim Jong-un enviou a maior força de combate ao exterior na história do país, desde 1973.
- Volodymyr Zelensky alertou sobre uma possível ampliação do envio de soldados norte-coreanos para a Rússia, estimando até 50 mil.
- As forças norte-coreanas atuam na defesa da fronteira russa contra possíveis ataques ucranianos na região de Kursk.
Fontes
- BBC News Brasil imprensa





