Pesquisadores revelam inscrições em carga de navio medieval que conectam à dinastia Yuan
Estudo identifica símbolos e escrita 'Phags-pa' em peças de jacarandá do século 14
Análises de carga de um naufrágio na Coreia do Sul mostram inscrições relacionadas à organização de mercadorias da dinastia Yuan, há mais de 700 anos.
Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa do Patrimônio Marítimo da Coreia do Sul divulgaram uma descoberta que pode iluminar a história dos intercâmbios comerciais na Ásia durante o século 14. Ao examinarem uma carga de um navio afundado na península coreana, conhecido como naufrágio de Sinan, eles encontraram símbolos e inscrições gravados em peças de jacarandá, uma madeira nobre usada na época. Desses destroços, foram resgatadas mais de 1.000 unidades de diferentes objetos, incluindo cerâmicas chinesas, moedas, materiais metálicos, substâncias medicinais e madeira, e a análise detalhada revelou inscrições que parecem estar relacionadas ao sistema de organização de mercadorias adotado na administração da dinastia Yuan, que controlou grande parte da China e regiões vizinhas na época.
Segundo a fonte, as peças de madeira apresentaram diversos caracteres e símbolos entalhados em suas superfícies, até então interpretados como algarismos arábicos ou letras. Agora, uma reavaliação feita pelo pesquisador Chong Soon-il, da Universidade da Coreia, identificou que alguns desses registros correspondem à escrita 'Phags-pa', um alfabeto criado na China em nome da dinastia Yuan para facilitar a comunicação multilingue. A documentação tridimensional permitiu que os estudiosos analisassem as inscrições com maior nível de detalhe, estabelecendo uma conexão clara entre os símbolos gravados nas peças e as etiquetas de madeira encontradas na carga, que continham dados sobre os itens transportados.
Segundo a análise, esse sistema de marcação visual foi fundamental para controlar e separar remessas destinadas a diferentes destinos e clientes. Entre as cargas estavam mercadorias que seriam entregues a comerciantes, compradores individuais e instituições religiosas, como o templo budista Tōfukuji, em Kyoto. Assim, as inscrições não apenas revelam o conteúdo das cargas, mas também mostram a complexidade das redes comerciais que conectavam regiões do leste asiático há mais de 700 anos. Para ilustrar essa conexão, as evidências indicam uma logística de transporte e controle detalhada, que funcionava há séculos em um contexto de relações internacionais bastante sofisticadas.
A descoberta faz parte de uma exposição chamada 'Jacarandá: A Madeira que Cruzou o Mar', aberta na sede do instituto na Coreia do Sul desde 15 de setembro e prevista para encerrar em 14 de fevereiro de 2027. Além disso, nos dias 16 e 17 de setembro, será realizada uma conferência internacional de acadêmicos para debater as rotas marítimas antigas na região. Ainda que essa pesquisa seja inovadora, é importante destacar que algumas informações ainda não foram confirmadas oficialmente por outras fontes além da divulgada pela própria instituição em seu site, e a interpretação da escrita 'Phags-pa' foi feita por um especialista que ainda aguarda validação adicional. Portanto, o que se sabe hoje é que essas inscrições representam uma peça importante na compreensão das redes comerciais medievais na Ásia, reinterpretando documentos e símbolos que até então eram considerados apenas marcas informais nas peças de madeira.
O que sabemos?
- Inscrições gravadas em peças de jacarandá de um navio afundado na Coreia do Sul
- Algumas dessas inscrições foram identificadas como a escrita 'Phags-pa'
- O naufrágio, conhecido como Sinan, partiu de Qingyuan na China e tinha como destino Hakata, no Japão
- As peças mostram um sistema de controle e organização de mercadorias usado na dinastia Yuan há mais de 700 anos
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada





