Sítio arqueológico na rodovia de São Paulo revela vestígios de 2 mil anos e dentes de tubarão modificados
Local, conhecido como Sambaqui do Buracão, foi parcialmente destruído pela expansão de rodovia no litoral paulista, deixando poucos vestígios do passado pré-colonial
No km 17 da Rodovia Guarujá-Bertioga, no litoral de São Paulo, sítio arqueológico com cerca de 2.000 anos foi afetado pela construção da via, deixando restos de sepultamentos e dentes de tubarão-branco modificados por humanos. Pesquisas realizadas desde a década de 1940 documentaram o local, que agora está em parte destruído.
Um sítio arqueológico conhecido como Sambaqui do Buracão, localizado na área do km 17 da Rodovia Guarujá-Bertioga, no litoral paulista, revelou importantes vestígios de uma era que remonta aproximadamente 2 mil anos atrás, segundo fontes acadêmicas. O local, na Ilha de Santo Amaro próximo ao Canal de Bertioga, tinha uma série de sepultamentos e materiais que sugerem uma cultura pré-colonial bastante antiga. Ainda assim, sua história foi marcada por um impacto causado pela construção da própria rodovia, que destruiu grande parte do sítio original, restando apenas cerca de um terço de sua área, segundo um estudo do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (USP).
Pesquisas iniciadas na década de 1940, quando o sítio foi conhecido pelo pesquisador italiano Ettore Biocca, indicam que o local já era objeto de atenção na época. Posteriormente, nos anos 1960, estudos liderados pelo antigo Instituto de Pré-História da USP, sob coordenação de Paulo Duarte, aprofundaram o entendimento sobre a área. Uma tese de doutorado defendida em 2005, também na USP, documentou que foram identificados 43 sepultamentos no sítio, sendo 42 simples e um duplo, o que totaliza pelo menos 44 indivíduos, entre adultos e jovens. Entre os achados, estavam materiais arqueológicos como pedras, conchas de moluscos, ossos de animais, dentes de peixe, pigmento ocre e objetos em osso e pedra, além de registros de sepultamentos associados a esses materiais.
Segundo o estudo do MAE-USP, a documentação aponta que 28 dos sepultamentos tinham materiais associados, incluindo 190 elementos de pedra, 435 valvas de moluscos, 335 dentes de peixes e mamíferos e 326 ossos de animais. Um detalhe que chamou a atenção foi uma descrição feita por Paulo Duarte de um sepultamento onde objetos trabalhados em osso e pedra foram colocados dentro de uma carapaça de tartaruga, indicando possíveis rituais ou práticas culturais daquela época. Além disso, cinco dentes de tubarão-branco foram recuperados no sítio, todos com modificações feitas por humanos — como perfurações ou desgaste — embora não haja confirmação de que esses dentes tenham algum significado religioso ou ritual.
Os dentes de tubarão, do gênero Carcharodon carcharias, estavam associados a sepultamentos, e sua modificação por humanos aponta uma possível relação simbólica ou de uso prático, embora fontes acadêmicas esclareçam que o significado específico dessas modificações ainda não foi confirmado. A datação do sítio, com base na documentação disponível, indica que ele possui cerca de 1.950 anos de idade, com uma margem de erro de aproximadamente 100 anos, valor que está alinhado com estudos realizados pela USP. Contudo, não há atualmente levantamentos que confirmem exatamente quanto do sítio ainda permanece sob a estrada ou na margem, deixando uma incógnita sobre o que foi perdido ou preservado ao longo do tempo. Devido à destruição parcial, a maior parte do que restou foi colocada sob a rodovia, dificultando qualquer entendimento completo do sítio original. Ainda assim, a importância histórica da área persiste como uma janela para o passado pré-colonial do litoral paulista, enquanto pesquisadores aguardam mais confirmações sobre as condições atuais do sítio.
O que sabemos?
- O sítio arqueológico Sambaqui do Buracão tem aproximadamente 2 mil anos.
- A área foi parcialmente destruída pela construção da Rodovia Guarujá-Bertioga, restando cerca de um terço do sítio original.
- Foram documentados 43 sepultamentos, com um mínimo de 44 indivíduos, incluindo adultos e jovens.
- Dentes de tubarão-branco modificados por humanos foram encontrados no local.
- Pesquisas começaram na década de 1940 e aprofundaram-se nos anos 1960.
- Material arqueológico inclui pedras, conchas, ossos, pigmento ocre e objetos de osso e pedra.
Fontes
- G1 imprensa





