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Registrado na Amazônia, raro momento de afeto entre macacos Uacari pode indicar vínculo social

Em apuração ?

Primeiro registro de contato facial entre casais selvagens de Uacari-branco-de-cabeça-pelada sugere comportamentos sociais mais complexos

Cenas de um casal de macacos Uacari-branco-de-cabeça-pelada interagindo na floresta
Imagem: CNN Brasil

Pesquisadores brasileiros capturam uma cena incomum: um casal de macacos trocando beijos na boca na floresta amazônica, indicando possíveis vínculos afetivos ou estratégias de seleção de parceiro.

Uma equipe de pesquisadores realizou uma descoberta inédita na floresta amazônica ao registrar, pela primeira vez, um casal de macacos conhecidos como uacaris-brancos-de-cabeça-pelada trocando beijos na boca. Essa espécie, que integra os primatas neotropicais e é nativa das florestas tropicais da América Central e do Sul, raramente apresenta comportamentos como esse, tornando o episódio algo de grande relevância para a ciência.

Segundo a fonte, os registros aconteceram durante uma observação na região, e as imagens mostram um macho e uma fêmea de uacari interagindo de forma íntima. O macho, ao se aproximar da fêmea, ficou em uma postura semi-bípede — ou seja, apoiado em duas patas — e ficou cara a cara com ela, que adotou uma postura mais relaxada e receptiva. Em determinado momento, o macho beijou a fêmea na boca, procedimento que foi registrado até o momento em que ele a seguiu até o interior da copa da árvore. Esses detalhes reforçam a hipótese de que a interação tinha um caráter de fortalecimento de vínculos afetivos, além de uma possível comunicação de status ou saúde.

Ainda conforme os autores do estudo, publicado na revista científica Biotropica, após o contato, a fêmea acompanhou o macho na continuidade da atividade, o que reforça a ideia de uma relação de proximidade e de cuidado mútuo. Uma das possíveis explicações fornecidas pelos pesquisadores relaciona-se à coloração avermelhada da face da espécie: quanto mais vermelha, mais saudável o animal é considerado por seus parceiros, pois essa tonalidade estaria associada à emissão de odores que sinalizam boa condição física. Dessa forma, o beijo poderia funcionar como uma estratégia de seleção de parceiro, além de demonstrar afeto ou fortalecimento de laços existentes.

Importante destacar que, conforme a pesquisa, esse registro ainda não permite afirmar se o comportamento é frequente na espécie ou se foi influenciado por alguma condição momentânea. Os pesquisadores ressaltam que é necessário realizar maiores períodos de observação para entender se esses atos de carinho, que aparentam ser suaves e contínuos, fazem parte do comportamento normal do casal selvagem. A única coisa confirmada, até o momento, é a raridade do momento, que trouxe uma nova possibilidade de compreensão sobre o comportamento social dos primatas da floresta amazônica.

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O que sabemos?

  • Primeiro registro de um casal de macacos Uacari-branco-de-cabeça-pelada trocando beijos na boca na Amazônia
  • Os macacos foram observados em postura semi-bípede e cara a cara
  • A interação foi considerada um possível fortalecimento de vínculos afetivos ou solução de conflitos
  • A coloração avermelhada da face da espécie pode sinalizar saúde e atrair parceiros
  • Ainda não há confirmação se esse comportamento é comum ou influenciado por fatores temporais

Fontes

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