Tecnologia

Pesquisa revela desafios de realizar cirurgias oftalmológicas em missões espaciais longas

Em apuração ?

Especialistas estudam como cuidar da visão de astronautas em viagens de longa duração, como a até Marte.

Ilustração de um astronauta com óculos de proteção espacial em uma nave
Imagem: CNN Brasil

Estudos apontam a necessidade de desenvolver equipamentos resistentes e procedimentos adaptados para procedimentos oculares fora da Terra. Cientistas avaliam impacto de condições extremas no armazenamento de lentes intraoculares, essenciais em cirurgias de catarata.

À medida que a exploração espacial avança e missões humanas a Marte se aproximam de se tornar uma realidade, pesquisadores estão cada vez mais atentos às questões de saúde que esses astronautas poderão enfrentar. Segundo uma especialista ouvida durante o 44º Congresso da Sociedade Europeia de Cirurgiões de Catarata e Cirurgia Refrativa, a oftalmologista Morgan Micheletti, do Berkeley Eye Center, em Houston, nos Estados Unidos, a possibilidade de precisar realizar uma cirurgia de catarata em Marte, durante uma missão, não é mais apenas ficção científica, mas uma preocupação real. Ela explica que a viagem até o planeta vermelho pode durar quase um ano, e que, nesse período, um problema ocular que exija cirurgia poderia impedir o retorno do astronauta à Terra, onde os tratamentos são mais facilmente realizados. Assim, especialistas acreditam que será imprescindível desenvolver procedimentos e equipamentos específicos para o ambiente espacial.

Um dos estudos em andamento, levado a cabo pela agência espacial americana, NASA, avalia a resistência de lentes intraoculares, componentes essenciais na cirurgia de catarata, em condições extremas. Essas lentes substituem o cristalino do olho quando ele fica comprometido pela doença. O projeto, chamado JAMES (Avaliação Conjunta da Exposição de Materiais no Espaço), submeteu 135 unidades fabricadas com diferentes materiais a testes fora da Estação Espacial Internacional (EEI). As lentes foram colocadas em diversos ambientes: uma região exposta a altos níveis de oxigênio atômico, outra à radiação ultravioleta do Sol e uma terceira, parcialmente protegida, sob a plataforma da estação, para simular diferentes condições de transporte e armazenamento.

Segundo os pesquisadores, o objetivo não era reproduzir exatamente o transporte tradicional de uma lente ou procedimento, mas identificar possíveis pontos de falha que poderiam surgir em ambientes extremos. Isso é fundamental para garantir que futuras missões possam transportar materiais e realizar procedimentos com segurança, mesmo em condições adversas. Ainda não há confirmação oficial de que operações cirúrgicas dessas possam ocorrer até Marte, mas a pesquisa indica um caminho importante para desenvolver tecnologias mais resistentes e procedimentos seguros, de modo que, se necessário, o atendimento oftalmológico seja possível diretamente no espaço.

Micheletti reforça que, devido ao aumento das viagens tripuladas ao espaço, essa questão se torna cada vez mais urgente. Ela afirma que, futuramente, alguém pode precisar de uma cirurgia de catarata em Marte, na própria missão, o que demanda pesquisas inovadoras e um planejamento detalhado. Ainda que os detalhes técnicos estejam em fase de estudo, o tema demonstra o quão complexo e multidisciplinar será garantir a saúde dos astronautas em missões que podem durar quase um ano até seu destino. O avanço dessas investigações é considerado crucial para que a exploração espacial continue segura e viável para toda a humanidade.

Publicidade

O que sabemos?

  • Estudos avaliam resistência de lentes intraoculares a condições extremas do espaço.
  • Projeto JAMES testou 135 lentes com diferentes materiais em ambientes fora da Terra.
  • Pesquisadores buscam desenvolver equipamentos que suportem viagens longas a Marte.
  • A possibilidade de cirurgias oftalmológicas em missões espaciais aumenta com o aumento das viagens tripuladas.

Fontes

Publicidade