Tecnologia

Microrganismo com genoma incompleto desafia conceitos sobre vida

Em apuração ?

Descoberta por acaso na costa de Shimoda levanta questionamentos sobre os limites da existência celular

Representação artística de um microrganismo com DNA circular reduzido.
Imagem: Olhar Digital

Um microrganismo com DNA extremamente reduzido foi encontrado em águas japonesas e pode alterar a compreensão do que é ser vivo. Cientistas ainda investigam sua origem e possíveis relações evolutivas.

Uma descoberta peculiar feita por pesquisadores japoneses está despertando interesse na comunidade científica: um microrganismo com genoma extremamente pobre em genes foi encontrado em águas superficiais na costa de Shimoda, no Japão. Segundo relato de uma única fonte, a revista Current Biology, esse organismo, chamado provisoriamente de Sukunaarchaeum mirabile, apresenta um DNA circular de apenas algumas poucas sequências, um tamanho considerado minúsculo para os padrões biológicos atuais.

Ao analisar seu material genético, os cientistas perceberam que o microorganismo possui grandes limitações: seu genoma não contém quase todos os genes que normalmente são necessários para manter um metabolismo independente. Isso sugere que ele não consegue produzir sozinho nutrientes ou energia suficiente, levando a equipe a inicialmente compará-lo a vírus, classificação que foi posteriormente desconsiderada para evitar confusões científicas.

De acordo com os pesquisadores, esse micro-organismo perdeu quase todos os genes relacionados à produção de nutrientes e energia, mas conseguiu preservar boa parte das funções que permitem copiar seu DNA e produzir proteínas a partir dele. Essa combinação inédita sugere que o Sukunaarchaeum poderia estar próximo do limite mínimo de informação genética necessário para uma célula viva se reproduzir e manter sua identidade biológica, uma questão que deixa o estudo ainda mais instigante.

O estudo levanta uma importante dúvida: como um organismo com tão poucos genes consegue sobreviver? Especialistas como Thorsten Allers, da Universidade de Nottingham, explicam que a capacidade de se replicar e o grau de autonomia nesse processo são essenciais para definir a vida. Ainda não há conclusões definitivas, mas a descoberta fornece pistas valiosas sobre o quão simples uma célula pode se tornar e ainda assim manter os atributos de um organismo vivo.

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Há também hipóteses de que o Sukunaarchaeum seja um parasita, ou que esteja em processo de integração com seu hospedeiro, fenômeno que ajuda a entender a origem de células mais complexas. Um exemplo semelhante na evolução seriam as mitocôndrias, estruturas que produzem energia nas células humanas e que descendem de bactérias que passaram a viver dentro de células eucarióticas há cerca de 1,5 bilhão de anos.

No entanto, até o momento, os cientistas ainda não encontraram evidências suficientes para afirmar que o microorganismo oferece algum benefício ao seu possível hospedeiro, reforçando a hipótese de parasitismo. Estima-se que aproximadamente um quarto do genoma do Sukunaarchaeum seja dedicado à produção de proteínas de membrana de grande porte, o que reforça a complexidade de suas funções na superfície celular, mesmo com uma quantidade tão limitada de material genético.

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O que sabemos?

  • O mikrorganismo foi descoberto por acaso na costa de Shimoda, Japão.
  • Ele possui um genoma circular incomum, muito menor do que a maioria dos seres vivos conhecidos.
  • Sua capacidade de reproduzir-se e sobreviver com tão pouco DNA é um enigma para os cientistas.
  • Há hipóteses de que ele seja um parasita ou esteja evoluindo para uma relação simbiótica.

Fontes

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