Tecnologia

Lynas anuncia aquisição milionária de projeto de terras raras em Minas Gerais

Confirmada por múltiplas fontes ?

Operação avaliada em R$ 3,5 bilhões marca avanço no controle de minerais estratégicos no Brasil

Planta de mineração de terras raras em Minas Gerais com logotipo da Lynas ao lado.
Imagem: Folha de S.Paulo

A empresa australiana Lynas Rare Earths revelou um acordo para comprar a Meteoric Resources, responsável pelo Projeto Caldeira, localizado no sul de Minas Gerais. A transação ainda depende de aprovações e pode ser uma das primeiras grandes aplicações do novo regime brasileiro para minerais estratégicos.

Na quarta-feira (30), a Lynas Rare Earths, uma das principais companhias do setor de minerais raros na Austrália, anunciou um acordo para adquirir a totalidade da Meteoric Resources, uma mineradora australiana responsável pelo Projeto Caldeira, situado em Minas Gerais. A operação tem um valor estimado em aproximadamente R$ 3,5 bilhões, em troca de 0,0207 ações da Lynas para cada ação da Meteoric, o que equivale a cerca de A$ 0,286 por ação, valor 68,4% superior ao fechamento do papel em 30 de setembro, segundo informações divulgadas pela própria Lynas. Ainda não há confirmação oficial sobre a conclusão do negócio, pois a operação está sujeita à aprovação de órgãos reguladores e às autorizações exigidas pelo novo regime brasileiro, criado pela Lei nº 15.506, sancionada em setembro. Este regime instituiu o CIMCE, o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos, que terá o poder de homologar mudanças no controle de empresas que possuam direitos sobre minerais considerados estratégicos ou críticos.

A aquisição acontece poucas semanas após o presidente Lula sancionar essa nova legislação, que visa estimular o processamento de minerais de alta relevância na cadeia produtiva do Brasil. Segundo fontes do mercado, o movimento da Lynas pode ser um passo importante na estratégia de controle desses recursos pela iniciativa privada, com maior respaldo do governo brasileiro. Ainda não há uma posição oficial de órgãos brasileiros ou da própria mineradora quanto à finalização do acordo, que, se concretizado, colocará a Meteoric sob controle de uma companhia estrangeira especializada no setor de terras raras.

O projeto Caldeira, localizado no sul de Minas Gerais, é considerado estratégico, uma vez que a extração de terras raras é essencial para setores como tecnologia, energia limpa e defesa. A tendência é que o controle de empresas que operam esses recursos seja acompanhado de atenção especial por parte do governo brasileiro, especialmente diante da crescente demanda global por minerais estratégicos. Ainda não foi divulgado quanto tempo a operação deve levar até sua concretização definitiva, nem detalhes sobre possíveis impactos locais ou ambientais, os quais ainda não foram confirmados oficialmente. A mineradora Meteoric Resources não se pronunciou publicamente até o momento, e a Lynas afirmou que o processo depende de etapas regulatórias obrigatórias.

Especialistas apontam que a movimentação da Lynas reforça um momento de intensificação na disputa por minerais de alta tecnologia no cenário internacional, num contexto em que o Brasil tenta fortalecer sua posição diante de um mercado global cada vez mais estratégico e competitivo. Assim, embora a aquisição ainda não esteja concluída, ela indica que a australiana pode ter planos de ampliar sua presença na extração e processamento de terras raras em um país com potencial de grande reserva desse tipo de mineral.

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O que sabemos?

  • Lynas anuncia compra de 100% da Meteoric Resources por aproximadamente R$ 3,5 bilhões.
  • Operação envolve o Projeto Caldeira, em Minas Gerais, de terras raras.
  • Compra depende de aprovações regulatórias brasileiras, incluindo homologação do controle societário pelo CIMCE.
  • A transação ocorre pouco depois da sanção de legislação que regula minerais estratégicos no Brasil.
  • Valor da troca de ações da Lynas é 68,4% maior que o preço de fechamento em 30 de setembro.

Fontes

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