Indústria automotiva brasileira não voltará a ser como antes, diz ex-VP da Ford
Especialista aponta mudanças estruturais no mercado de veículos, impulsionadas por tecnologia chinesa e transformação digital
Segundo Rogelio Golfarb, ex-Vice-presidente da Ford, a indústria automotiva no Brasil passa por uma mudança radical que deve alterar o cenário por completo, com uma forte influência da tecnologia chinesa e a necessidade de adaptação das montadoras tradicionais.
O mercado de carros no Brasil está passando por uma transformação profunda e acelerada, uma mudança que, segundo Rogelio Golfarb, ex-Vice-presidente da Ford na América do Sul, provavelmente impedirá que a indústria automotiva local volte a ser o que era no passado. Em entrevista ao programa C-Level Entrevista, Golfarb destacou que a chegada de veículos eletrificados, principalmente de origem chinesa, com alta tecnologia e preços mais competitivos, está mudando o cenário global e, por consequência, o nacional. Para ele, a expectativa é que as montadoras tradicionais precisem se adaptar rapidamente, pois "o nome do jogo é velocidade".
Golfarb explica que, em São Paulo, por exemplo, motoristas de Uber percorrem cerca de 250 km por dia. Segundo ele, esses profissionais preferem veículos elétricos, que podem ser carregados em casa na noite anterior. Essa mudança traz benefícios diretos ao usuário, uma vez que um carro elétrico, com uma única carga, dá para rodar toda a sua rotina diária, enquanto um automatizado movido a gasolina ou etanol custaria muito mais caro. "Eles me dizem que quem tem carro elétrico consegue ganhar o dobro", afirma o ex-VP da Ford. Essa realidade reforça a tendência de ampliação do mercado de veículos elétricos e a preferência por modelos de origem chinesa.
Golfarb também abordou a preocupação de que o Brasil possa se tornar uma grande montadora chinesa, dado o avanço dos carros eletrificados vindos daquele país. No entanto, ele refuta essa hipótese, argumentando que o maior desafio para a indústria automotiva brasileira não está na produção em si, mas na alta intensidade tecnológica exigida para a fabricação de veículos cada vez mais sofisticados. "O grande desafio da indústria gira em torno da intensidade tecnológica", reforça, destacando que a transformação não é apenas uma questão de adaptação, mas de rápida inovação.
Por fim, o especialista destacou que as montadoras tradicionais estão se esforçando para firmar alianças com fabricantes chineses, o que mudará significativamente o cenário industrial no Brasil. Ainda não há sinal de que as empresas tradicionais irão desaparecer, mas a velocidade dessas mudanças exige uma adaptação rápida por parte de todos os players do setor, sob o risco de se perderem no processo de inovação tecnológica que já está em curso.
O que sabemos?
- Mudanças estruturais globais no mercado automotivo devido à tecnologia chinesa
- Aumento na importância de veículos elétricos, especialmente na cidade de São Paulo
- As montadoras tradicionais estão buscando alianças com fabricantes chineses para se manterem competitivas
- A indústria brasileira não deverá voltar ao cenário anterior, devido às mudanças tecnológicas
- Motoristas de Uber em São Paulo preferem veículos elétricos por economia e praticidade
Fontes
- UOL Notícias imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa





