Streaming digital muda o cenário da música e desafia artistas médios
O impacto das plataformas de streaming na renda e na produção musical no Brasil e no mundo
Segundo especialistas, a popularização do streaming tornou a música mais acessível, mas também mais difícil para artistas menores obterem renda e reconhecimento, levando a mudanças profundas no mercado musical.
O avanço do streaming de música, que permite acesso ilimitado a milhões de canções por valores relativamente baixos ou até gratuitamente com anúncios, tem transformado o cotidiano de ouvintes e artistas. Segundo o autor Luiz Cesar Pimentel, no seu livro recém-lançado "A Grande Trapaça Digital", essa mudança tem efeitos dramáticos na renda dos músicos, especialmente nas bandas de porte médio e pequeno, que antes conseguiam ganhar uma quantia significativa vendendo cerca de 5.000 discos. Esses artistas, segundo análise, agora enfrentam dificuldades financeiras, tendo que recorrer a turnês constantes para sobreviver, já que a receita oriunda da reprodução nas plataformas digitais não é suficiente para sustentá-los com folga.
Conforme relata o autor, o novo cenário favorece os grandes nomes da música, que acumulam dezenas de milhões de reproduções e mantêm uma estabilidade financeira relativa. Por outro lado, artistas com público fiel, mas que não atingem esses números astronômicos de plays, veem sua renda praticamente dizimada, o que, na visão de Pimentel, torna o mercado musical mais desigual e menos justo. Ainda de acordo com o autor, uma banda que vendia 5.000 discos poderia, no passado, poupar dinheiro suficiente para se dar um tempo na estrada, criar novas músicas e gravar, mas essa possibilidade hoje está se tornando uma exceção, além de prejudicar a diversidade artística.
O impacto dessa nova lógica na indústria musical também é descrito como “apocalíptico” por Pimentel, que argumenta que a banalização da música por meio do streaming diminui a valorização e o esforço dos artistas, além de deslocar a principal fonte de renda para o setor de shows e turnês. Ainda não há confirmações de mudanças rápidas nesse cenário, mas o debate sobre os efeitos do streaming na sustentabilidade da música permanece intenso entre profissionais e pesquisadores do setor.
Com as plataformas cobrando cerca de R$ 30 por mês dos usuários, a acessibilidade aumentou, mas o custo para os artistas se elevou na mesma proporção, uma vez que dependem mais de apresentações ao vivo. Assim, o modelo de negócios atual reforça uma desigualdade entre os artistas de grande expressão e aqueles de porte médio ou menor, potencializando a crise na chamada
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa
- UOL Notícias imprensa





