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Pastor palestino questiona uso da Bíblia para justificar a opressão em Gaza

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Crítica ao sionismo cristão e à instrumentalização religiosa na política de Israel

Pastor palestino questiona uso da Bíblia para justificar a opressão em Gaza
Imagem: Folha de S.Paulo

Durante uma visita ao Brasil, o pastor palestino Munther Isaac comentou sobre a influência de interpretações bíblicas que justificam ações contra os palestinos, destacando o crescimento de atos de assédio religiosos na região.

Segundo o pastor palestino Munther Isaac, a Bíblia tem sido usada de forma instrumentalizada para justificar ações de opressão contra os palestinos, especialmente na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Durante uma visita ao Brasil para lançar seu livro "Cristo nos Escombros: A presença de Deus em Meio ao Sofrimento em Gaza", Isaac afirmou à Folha de S.Paulo que setores do evangelicalismo apoiam a criação e manutenção de Israel, usando interpretações bíblicas que, na sua visão, contribuem para um processo de apagamento da população palestina nessa região.

Isaac, que é residente de Ramallah na Cisjordânia ocupada, apontou que a ligação dos judeus com a terra não é negada por ele, mas questiona a transformação dessa ligação em uma ideologia política que justifique expulsões. “O que questionamos é transformar isso em uma ideologia e em um direito político que também implica expulsar os palestinos dela”, afirmou. Ele comentou ainda que o movimento religioso que apoia Israel, frequentemente chamado de “sionismo cristão”, tem influenciado setores evangélicos a aceitarem e justificarem as ações militares do governo israelense, inclusive a campanha militar liderada pelo premiê Binyamin Netanyahu.

O religioso afirmou que cerca de 45 mil cristãos palestinos vivem na Cisjordânia, Jerusalém e Gaza. Ainda segundo Isaac, esses cristãos enfrentam não só restrições de circulação e ataques por parte das forças israelenses, mas também discriminação e violência motivadas por motivos religiosos. Dados de um centro independente israelense, o Centro de Dados para a Liberdade Religiosa, indicam que entre abril e junho deste ano foram registrados 83 atos de assédio contra cristãos na região, maior que os 69 do mesmo período do ano passado. Esses episódios incluem cuspidas, ameaças verbais, vandalismo, ofensas, arremesso de lixo e até agressões físicas, principalmente em Jerusalém.

Segundo ele, o aumento desses atos reflete uma growing intolerância e reforça a preocupação com o papel de uma corrente específica do evangelicalismo, que ele denomina de “sionismo cristão”. Essa corrente, ainda de acordo com Isaac, usa a Bíblia para justificar a manutenção do Estado de Israel e as ações militares contra os palestinos, minimizando o sofrimento desta população e, em alguns casos, até justificando juridicamente a ocupação de terras. Ainda não há confirmação oficial de que tais interpretações tenham influência direta nas políticas públicas israelenses, mas a crítica do pastor sugere um debate dentro do próprio meio religioso sobre o uso político da religião na região.

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