Descoberto na Romênia um dos maiores fornos de cerâmica de 6 mil anos
Importante descoberta indica tradição duradoura na produção de cerâmica na cultura Cucuteni-Trypillia
Um forno gigante de aproximadamente 7,5 metros quadrados foi encontrado em um sítio arqueológico na Romênia, datando de cerca de 3960 a.C. e oferecendo novas informações sobre a tecnologia e organização produtiva daquela sociedade antiga.
Um impressionante forno de cerâmica de cerca de 6 mil anos foi descoberto no nordeste da Romênia, na região de Iași, perto do sítio arqueológico de Ursoaia. Segundo informações divulgadas por Aventuras na História, essa estrutura é considerada o maior exemplo conhecido associado à cultura Cucuteni-Trypillia, uma sociedade antiga que ocupa territórios de hoje pertencentes à Romênia, Moldávia e Ucrânia e que floresceu aproximadamente entre 5500 a.C. e 2750 a.C.
O achado foi feito em 2025, mas suas origens e funcionamento continuam sendo objeto de estudos e análises. Ainda segundo a fonte, uma pesquisa realizada em 2024, usando levantamento magnetométrico, mapeou cerca de 8 hectares do assentamento e identificou alguns vestígios da ocupação antiga, como um fosso ao redor do sítio, cerca de 60 casas queimadas, poços e pelo menos oito fornos similares, embora consideravelmente menores. A datação por radiocarbono de restos de animais associados à estrutura aponta que ela esteve ativa entre 3960 e 3650 a.C., período coincidente com a expansão da produção de cerâmica na região.
O funcionamento do forno revela detalhes técnicos notáveis. A estrutura aproveitou a encosta do fosso do assentamento para suportar sua área de queima, que possui cerca de 7,5 metros quadrados. Sua câmara inferior mede aproximadamente 3,10 por 2,40 metros, abaixo de uma câmara de disparo com volume estimado em 12 metros cúbicos. O equipamento contava com quatro canais de fogo separados por suportes de argila, cobertos por placas móveis que formavam uma espécie de grelha, sobre a qual eram dispostos recipientes na câmara superior. Dessa forma, o fluxo de gases quentes circulava por toda a estrutura, distribuindo calor uniformemente.
As análises físicas das evidências indicam que as placas do piso sofreram alterações térmicas entre 800 e 900 °C, enquanto áreas de suporte e fragmentos do teto atingiram temperaturas entre 950 e 1.100 °C. Esses valores, segundo os pesquisadores, são estimativas com base em modificações físicas dos materiais, não sendo medições diretas da queima ancestral. A estrutura apresenta também camadas de argila depositadas ao longo do tempo, o que sugere que foi utilizado de forma contínua ou passou por reparos, evidenciando uma organização produtiva mais complexa do que se supunha para a época.
Em comparação com outros exemplos conhecidos, as dimensões do forno de Ursoaia superam padrões da cultura Cucuteni-Trypillia, onde usualmente os fornos variam de 2 a 4 metros quadrados, como o de Stolniceni, que tinha entre 4,6 e 4,8 metros quadrados. Ainda assim, estruturas maiores são raras na região do sudeste europeu. Segundo especialistas, esse tamanho maior pode indicar uma produção de cerâmica de escala mais ampla, possivelmente voltada não só para uso doméstico, mas também para atender a uma demanda de comunidades vizinhas ou de uma população maior. A própria existência de tantos fornos e casas queimadas na área reforça a hipótese de uma organização social com divisão produtiva mais estruturada, embora ainda não haja confirmação de uma oficina dedicada exclusivamente à fabricação ceramista.
Por enquanto, as investigações continuam. Pesquisadores querem entender melhor como os artesãos trabalhavam, quais eram suas ferramentas e quem utilizava a produção. Ainda não há informações confirmadas pelo clube de arqueologia local ou instituições oficiais, e o estudo publicado na revista Antiquity ressalta que novas descobertas podem ampliar o entendimento sobre a sociedade pré-histórica da região.
O que sabemos?
- Forno gigante de 6.000 anos foi descoberto na Romênia.
- Estrutura possui cerca de 7,5 metros quadrados, maior que exemplos tradicionais.
- Datação por radiocarbono indica uso entre 3960 e 3650 a.C.
- A estrutura aproveitou encosta do fosso do assentamento para suporte.
Fontes
- Aventuras na História fonte especializada




