Tecnologia

Pesquisa da UFLA aponta dificuldades de IA em compreender Libras de pessoas surdas

Em apuração ?

Estudo revela que inteligência artificial ainda enfrenta barreiras ao interpretar comunicação na Língua Brasileira de Sinais

Ilustração representando uma pessoa surda usando sinais na Língua Brasileira de Sinais (Libras) com um sistema de IA ao fundo.
Imagem: G1

Apesar de avanços no ajuste de modelos de linguagem, sistemas de IA continuam com desempenho inferior ao interpretar a escrita de surdas em português, devido às diferenças estruturais entre Libras e português.

Uma pesquisa realizada na Universidade Federal de Lavras (UFLA) revelou que sistemas de inteligência artificial (IA), designados a facilitar a comunicação, ainda apresentam dificuldades para compreender textos escritos por pessoas surdas que utilizam a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Segundo o estudo, a estrutura dessas mensagens, muitas vezes próximas à Glosa — uma forma de transcrição que reproduz sinais e estruturas da Libras —, confunde os sistemas comerciais treinados apenas com textos em português convencional.

De acordo com os pesquisadores, testes realizados com chatbots e modelos de linguagem gratuitos mostraram que, após um treinamento específico com 55 mil conversas em formato de Glosa, a taxa de acertos desses sistemas melhorou. Porém, ainda assim, o desempenho continuou inferior ao obtido com textos tradicionais em português escrito. A dificuldade se explica, principalmente, pelas diferenças estruturais entre Libras e o português, idioma que para muitos surdos, especialmente aqueles que usam Libras como primeira língua, é uma segunda língua, com a escrita sendo ainda mais desafiadora.

O professor Denilson Alves Pereira, do Instituto de Ciências Exatas e Tecnológicas da UFLA, explicou que a forma como as pessoas surdas escrevem muitas vezes imita a estrutura da Libras, usando a Glosa como representação. "Quando as pessoas surdas que são educadas em Libras escrevem em português, elas tendem a reproduzir a ordem de sinais e sinais de Libras, sem seguir necessariamente a estrutura do português convencional. Por exemplo, uma frase comum, como ‘você já comeu o biscoito de sabor banana?’, pode aparecer como ‘biscoito, banana, você já comer?’ — com o verbo no infinitivo e sem artigos ou preposições, para refletir a estrutura da Libras," detalhou Pereira.

O estudo ainda não teve sua conclusão oficial, pois a Universidade aguarda confirmações e aguardam outros estudos complementares. Além das dificuldades de compreensão, o caso reforça a necessidade de desenvolver tecnologias mais acessíveis e eficazes para a comunicação de pessoas surdas na era digital, especialmente à medida que a inteligência artificial se torna parte do cotidiano. Ainda não há, contudo, uma solução definitiva, e o próprio estudo revela que, embora os avanços no ajuste fino tenham aumentado a capacidade dos sistemas, eles ainda estão longe de alcançar uma interpretação fluida e natural, similar à humana.

Publicidade

O que sabemos?

  • A pesquisa foi conduzida na UFLA e envolveu treinamento de modelos de IA com 55 mil conversas em Glosa.
  • Resultados mostraram melhora na precisão, mas desempenho ainda inferior ao português convencional.
  • Diferenças estruturais entre Libras e português causam dificuldades na compreensão de IA.
  • Surdos que usam Libras como primeira língua tendem a escrever em português imitando a estrutura da língua de sinais.

Fontes

  • G1 imprensa
Publicidade