Consumo de energia elétrica no Brasil atinge recorde e preocupa especialistas
Dados de agosto mostram avanço no uso residencial, com fatores diversos por trás do aumento
O consumo médio de energia elétrica nas residências brasileiras voltou a atingir níveis históricos, após quase 30 anos, impulsionado por mudanças nos hábitos e fatores ambientais.
Segundo levantamento divulgado por uma fonte confiável, o consumo médio de energia elétrica nas residências brasileiras atingiu, em agosto, o maior patamar já registrado no século XXI, aproximando-se do recorde de dezembro de 1998. Apesar do histórico de crises de abastecimento no início dos anos 2000, como apagões e racionamento, o padrão de consumo vem se normalizando e até crescendo, após uma recuperação que levou quase três décadas.
De acordo com especialistas ouvidos pela fonte, esse crescimento deve-se a uma combinação de fatores, incluindo ondas de calor mais intensas, aumento do trabalho remoto — popularmente conhecido como home office —, aluguéis por plataformas digitais, além do crescimento do uso de veículos elétricos por famílias brasileiras. Esses elementos têm contribuído para que o consumo residencial de energia se aproxime de níveis anteriores às crises ocorridas na virada do século.
Para os profissionais ouvidos, a retomada ao crescimento do consumo não traz uma mensagem negativa. Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da UFRJ, afirma que esse é um sinal de que o consumidor brasileiro se tornou mais racional, adotando hábitos mais conscientes e equipamentos mais eficientes. Ele destacou que o padrão de consumo passou a ser mais sustentável, apesar do aumento nos números absolutos.
Por sua vez, o engenheiro Márcio Américo, especialista em eficiência energética, lembrou que existem orientações simples para reduzir o gasto de energia no dia a dia, como o uso de lâmpadas de LED, apagar luzes de ambientes vazios, manter geladeiras em locais arejados e optar por aparelhos de ar-condicionado com o selo Procel e classificação A. Ainda assim, o aumento no consumo persiste, explicado por fatores como o aumento no uso de ar-condicionado durante ondas de calor, a transferência parcial do consumo comercial para residências devido ao home office, e o uso mais frequente de carros elétricos, que migram gastos da gasolina para a conta de luz.
Além disso, especialistas destacam que a matriz energética do Brasil vem passando por uma transformação. Nivalde de Castro reforça que há um crescimento na geração de energia solar e eólica, fontes renováveis e menos poluentes, o que melhora o perfil ambiental do sistema elétrico nacional. A estrutura de distribuição também é considerada bem dimensionada para atender à demanda, mesmo com esse crescimento recente.
O que sabemos?
- O consumo médio de energia elétrica residencial voltou ao maior nível do século XXI.
- Em agosto, o consumo se aproximou do recorde de dezembro de 1998.
- Fatores como ondas de calor, home office, aluguéis por plataformas e carros elétricos influenciam o aumento.
- Especialistas afirmam que o padrão de consumo está mais racional e eficiente.
- A matriz energética brasileira está se diversificando com maior participação de fontes renováveis.
Fontes
- G1 imprensa





