Plano dos EUA para usar energia de Itaipu pode impactar fornecimento ao Brasil
Paraguai aumenta consumo de eletricidade da usina binacional, com possíveis efeitos na energia enviada ao Brasil, enquanto anúncio de parceria com empresas de inteligência artificial ainda não contou com o aval do governo brasileiro.
Especialistas monitoram a expansão do uso de energia de Itaipu pelo Paraguai, que pode diminuir o excedente enviado ao Brasil. Um contrato envolvendo tecnologias de inteligência artificial, negociado sem participação do Brasil, levanta preocupações sobre futuras mudanças no fornecimento.
Um novo projeto anunciado pelos Estados Unidos e o aumento no consumo de energia pelo Paraguai têm despertado atenção de especialistas no setor energético. Segundo informações provenientes do portal G1, uma parceria envolvendo uma empresa americana de infraestrutura para inteligência artificial e uma empresa paraguaia de projetos de energia visa utilizar parte da energia produzida na usina binacional de Itaipu para abastecer centros de processamento de dados no Paraguai. Ainda não confirmado oficialmente por outras fontes, o anúncio gerou debates sobre o impacto nos fornecimentos de eletricidade de Itaipu ao Brasil e ao próprio Paraguai.
Segundo fontes do G1, o contrato prevê que a primeira fase do empreendimento seja inaugurada até meados de 2027. Essa iniciativa, divulgada sem a participação do governo brasileiro, atende a uma expansão da demanda energética paraguaia, impulsionada desde 2021 por indústrias eletrointensivas, como as voltadas à mineração de criptomoedas. Atualmente, o Paraguai consome cerca de 74% da sua metade da energia gerada por Itaipu, enquanto os 26% restantes são enviados ao mercado brasileiro, conforme informações de especialistas ouvidos pela reportagem.
O Tratado de Itaipu, assinado por Brasil e Paraguai, estabelece que ambos têm direito a 50% da energia total produzida pela usina. Caso uma nação não utilize sua fatia, ela fica disponível para o outro adquirir. Historicamente, o Paraguai utilizava uma pequena parcela de sua cota, destinando o excedente ao Brasil. Contudo, com a instalação de novas indústrias, o consumo paraguaio vem crescendo de modo acelerado, o que pode reduzir de forma significativa o volume de eletricidade que atualmente é enviado ao Brasil. Segundo Victorio Oxilia, doutor em Energia e professor na Universidade Nacional de Assunção, essa tendência de diminuição do excedente já estaria em andamento, podendo se acelerar com novos consumidores de energia no Paraguai.
Ele explica que, embora não se espere que o fornecimento ao Brasil desapareça completamente, é provável que a quantidade de energia destinada ao mercado brasileiro diminua bastante. Ainda não há números oficiais detalhando o quanto essa redução pode ocorrer, mas o especialista destaca a importância do crescimento no uso de eletricidade por parte de empresas que demandam altos volumes, como as de mineração de criptomoedas, que vêm se estabelecendo na região.
Do lado do Brasil, a Itaipu afirmou ao G1 que não participou das negociações envolvendo a utilização da energia para a infraestrutura de inteligência artificial e reforçou que a decisão de como a energia será usada cabe a cada país, conforme previsto no tratado binacional. Ainda assim, o anúncio gerou questionamentos no setor energético sobre como as mudanças podem refletir na oferta de energia para o mercado brasileiro a longo prazo, já que o projeto ainda está em fase inicial e sem detalhes precisos de consumo.
O que sabemos?
- Parceria americana e paraguaia planeja usar energia de Itaipu para infraestrutura de inteligência artificial.
- Primeira fase do projeto deve começar até meados de 2027.
- O Paraguai consome atualmente cerca de 74% da sua cota de energia de Itaipu, enviando o restante ao Brasil.
- O Tratado de Itaipu garante a ambos o direito a 50% da produção da usina, com possibilidade de venda do excedente.
- Especialistas indicam que o consumo paraguaio vem crescendo desde 2021, principalmente por novas indústrias
Fontes
- G1 imprensa





