Primeiro dia tranquilo na Bienal do Livro de São Paulo destaca ficção científica brasileira
Evento revela forte interesse por autores nacionais e temas políticos na literatura do gênero
A abertura da tradicional feira do livro em São Paulo foi marcada por menos aglomerações e foco na ficção científica brasileira, com destaque para o crescimento do gênero e sua ligação com o presente.
Nesta terça-feira (3), ocorreu o primeiro dia útil da Bienal do Livro em São Paulo após o feriadão, e, diferentemente de edições anteriores, o evento apresentou um movimento relativamente tranquilo, sem as multidões típicas já conhecidas. Segundo fontes internas, o Distrito Anhembi, onde acontece a feira, não registrou as mesmas filas e aglomerações que marcaram os dias anteriores, especialmente a partir da sexta-feira (4), quando o público se intensificou, sobretudo na área dedicada à ficção científica. A maioria dos visitantes era composta por jovens e adultos interessados na produção nacional do gênero, refletindo uma demanda crescente por livros brasileiros na área.
O destaque do dia foi o encontro com autores de ficção científica, Ale Santos, Felipe Castilho e Jana Bianchi, no palco principal dedicado ao gênero. Segundo a mediadora Tamirez Santos, a ficção científica é um gênero político, uma ferramenta que, de acordo com ela, fala de temas presentes no cotidiano. Disputando o imaginário tecnológico, os autores conversaram sobre as origens dos termos usados na literatura, como “robô”, que deriva de uma peça teatral tcheca, e “ciberespaço”, termo criado pelo escritor canadense William Gibson. Ale Santos mencionou que seu trabalho busca ressignificar nomes e conceitos do gênero, cunhando termos como “cibercapoeiristas” e “tecnogriôs” em suas obras.
Segundo dados ainda não totalmente confirmados oficialmente, há uma forte presença de literatura brasileira na feira. Na editora Aleph, que tem se especializado em ficção científica neste semestre, quatro dos cinco títulos mais vendidos durante a feira são de autores nacionais. Essa tendência reflete uma demanda expressiva por produções locais, reafirmando o crescimento do gênero no Brasil. Ainda de acordo com fontes da própria editora, essa preferência por autores nacionais está ficando mais evidente à medida que o público busca literatura que dialogue com o contexto político e social brasileiro, além de explorar temas tecnológicos e futurísticos.
Em um cenário de maior apetite por ficção científica nacional, o evento parece indicar uma mudança de perfil do público, que agora demonstra maior interesse por obras que abordam questões atuais, usando o futuro como lente para refletir o presente. Embora o dia tenha sido marcado por poucas atividades e menor movimentação, o impacto das obras e os debates sobre o gênero reafirmam a importância da produção brasileira nesse campo, ressaltando o potencial de crescimento e o papel político do gênero na literatura recente.
Por enquanto, a organização da Bienal não se pronunciou oficialmente sobre as razões da menor movimentação neste início de semana, mas especialistas e frequentadores apontam que o interesse por ficção científica brasileira deve continuar em alta ao longo do evento.
O que sabemos?
- A primeira terça-feira da Bienal do Livro de São Paulo após feriadão foi mais tranquila que os dias anteriores.
- O público presente era principalmente formado por jovens e adultos interessados em ficção científica.
- Autoridades e mediadores destacaram o caráter político do gênero, discutindo conceitos e origens técnicos.
- Na editora Aleph, quatro dos cinco títulos mais vendidos na feira são de autores nacionais, indicando forte preferência por literatura brasileira do gênero.
- O movimento mais intenso da feira aconteceu a partir do dia 4 de novembro, com filas e maior aglomeração, especialmente nas áreas de ficção científica.
Fontes
- UOL Notícias imprensa
- UOL Notícias imprensa
- Folha de S.Paulo imprensa




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