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Climatologista alerta para irreversibilidade do clima do planeta devido às mudanças atmosféricas

Em apuração ?

Especialista explica o impacto das ações humanas e o que esperar do futuro do clima global

Ilustração de planeta Terra com atmosfera alterada e eventos climáticos extremos
Imagem: G1

Raúl Cordero, climatologista equatoriano, afirma que o clima que conhecemos não pode mais ser recuperado devido às ações humanas, mas aponta que ainda há esperança de evitar agravamentos. Segundo ele, o aumento da concentração de gases de efeito estufa transformou a atmosfera de forma irreversível.

De acordo com o climatologista Raúl Cordero, atualmente professor na Universidade de Groningen, na Holanda, o planeta em que vivemos não possui mais o mesma atmosfera com a qual nascemos. Segundo ele, o cenário atual é resultado de décadas de emissão de gases de efeito estufa, principalmente o dióxido de carbono (CO2), cujo nível na atmosfera cresceu cerca de 50% em pouco mais de um século, alterando o clima de forma irreversível. Em entrevista à BBC News Mundo, Cordero destacou que essa mudança na composição atmosférica faz com que o clima de hoje seja completamente diferente daquele de décadas atrás e, infelizmente, não haverá retorno ao estado anterior.

Ao afirmar que "não vamos recuperar, pelo menos em nenhum futuro previsível, o clima e a atmosfera que já perdemos", o climatologista reforça a ideia de que as ações humanas tiveram um impacto profundo na atmosfera do planeta. Ainda assim, ele destacou que essa constatação não deve levar ao desânimo ou à inação. Segundo Cordero, "não significa que devemos nos acomodar, que tudo já está perdido. Porque ainda podemos perder mais". Assim, ele reforça a importância de interromper as emissões de gases de efeito estufa para evitar a intensificação de eventos climáticos extremos.

O especialista explicou que a demora em perceber benefícios na redução dessas emissões está relacionada ao fato de que o CO2 tem uma vida média de pelo menos um século na atmosfera. Ou seja, o que emitimos hoje continuará influenciando o clima pelos próximos cem anos, pois parte do gás já emitido por gerações anteriores ainda está presente. Este fator torna as mudanças climáticas uma questão intergeracional, já que os efeitos das ações de hoje afetarão as próximas gerações. Além disso, Cordero ressaltou que, sem ações concretas, a frequência e a intensidade de eventos extremos — como ondas de calor, incêndios e inundações — continuarão a aumentar globalmente.

Para o climatologista, a situação ainda é grave, mas o entendimento de que ainda há tempo para agir é fundamental. Ele conclui dizendo que "ainda podemos perder mais" e que, apesar do otimismo de que é possível evitar o pior, o cenário atual exige urgência. O debate sobre as ações necessárias para reduzir as emissões ainda está em andamento, enquanto o aquecimento global e suas consequências continuam a evoluir rapidamente pelo mundo.

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O que sabemos?

  • O clima atual é irreversível devido ao aumento de 50% no CO2 na atmosfera.
  • Mudanças climáticas provocam aumento de eventos extremos, como ondas de calor e enchentes.
  • O CO2 tem uma vida média de pelo menos um século, atrasando os efeitos das ações de redução de emissões.
  • As ações humanas ao longo do último século alteraram de forma permanente a composição atmosférica.
  • Ainda há esperança de evitar o agravamento da crise climática se ações urgentes forem tomadas.

Fontes

  • G1 imprensa
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