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Canadá e União Europeia formam parceria inédita diante de tensões com Trump

Em apuração ?

A união busca fortalecer sua defesa econômica e política sem rivalizar diretamente com os Estados Unidos

Mapa do Canadá e União Europeia simbolizando parceria global
Imagem: Folha de S.Paulo

Anúncio indica uma tentativa de resiliência diante da política protecionista de Trump e das ações de grandes potências globais.

Na quarta-feira (16), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, revelou uma iniciativa inédita que visa elevar as relações entre a União Europeia (UE) e o Canadá ao mais alto nível, propondo que o país seja o primeiro a se tornar um membro associado do bloco. Segundo ela, a intenção não é criar uma aliança contra um ator global específico, mas fortalecer a cooperação e a resistência diante de ameaças externas. No dia seguinte, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, reforçou a mensagem, destacando que a parceria busca aumentar a resiliência do Canadá em relação ao controle de mercados, ameaças à soberania, integridade territorial e à democracia, sem a intenção de rivalizar com grandes potências globais.

Segundo fontes, essa movimentação ocorre em um contexto em que os laços com os Estados Unidos vêm sendo desafiados por ações de Donald Trump, que, ao longo de seu mandato, adotou uma política de tarifas elevadas e retaliações comerciais. Ainda não há confirmação oficial de que a iniciativa europeia e canadense tenham sido planejadas especificamente como uma resposta ao comportamento de Trump, mas a relação dirigida a outros países já vinha sendo discutida anteriormente. De acordo com uma declaração de Carney, a união das potências médias poderia representar uma alternativa à política de riscos e distorções promovida pelo governo americano, que, segundo ele, poderia deixar países de fora "no cardápio" de negociações prioridade.

Desde janeiro, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, Carney sugeriu a formação de alianças entre potências médias, diante do risco de as políticas comerciais dos EUA afetarem a ordem mundial. Essa ideia já vinha ganhando espaço no debate europeu, que começou a explorar a possibilidade de estender parcerias similares a países como Japão, Coreia do Sul, Indonésia, Reino Unido e Brasil. Ainda que a UE não defina o Canadá como membro pleno, o acordo pode aprofundar o tratado de livre comércio de 2016, além de abrir portas para cooperação em setores estratégicos como minerais críticos, indústria espacial, defesa, inteligência artificial, segurança energética e sistemas de pagamento — áreas de interesse também dos Estados Unidos.

Segundo especialistas, essa movimentação reflete preocupações mais duradouras do cenário internacional, como a crescente influência da China e as dificuldades enfrentadas pela política americana desde a primeira gestão de Trump, incluindo o bloqueio ao Órgão de Apelação da Organização Mundial do Comércio (OMC), sob o governo Biden. Ainda não há um posicionamento oficial de todos os envolvidos, e o clube não se pronunciou oficialmente sobre a proposta. Enquanto isso, nos EUA, Trump criticou duramente a iniciativa, chamando-a de "ridícula" e ameaçando aplicar tarifas pesadas sobre produtos europeus e canadenses. A tensão entre essas potências evidencia um movimento de tentativa de fortalecimento de blocos de resistência diante de um cenário global de instabilidade.

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O que sabemos?

  • A presidente da Comissão Europeia anunciou a intenção de elevar a relação com o Canadá ao mais alto nível.
  • O primeiro-ministro do Canadá afirmou que a parceria não visa rivalizar com grandes potências, mas reforçar a resiliência.
  • Trump reagiu às notícias chamando a iniciativa de "ridícula" e ameaçou tarifas.
  • A proposta inclui aprofundar acordos de livre comércio e cooperação em setores estratégicos.
  • A movimentação ocorre num contexto de tensão com os EUA e preocupação com a influência da China.

Fontes

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