Cães selvagens africanos estabelecem novo recorde de distância percorrida na Zâmbia
Alcateia atravessa mais de 4.000 km em busca de parceiros, enfrentando perigos e dificuldades ao longo do caminho
Uma alcateia de cães-selvagens na África percorreu mais de 4.000 km na Zâmbia, ultrapassando o recorde anterior de distância registrada entre mamíferos africanos. A jornada foi marcada por desafios naturais e humanos, levantando questões sobre o comportamento desses animais e o impacto do ambiente na sua locomoção.
Segundo informações divulgadas por uma fonte especializada, uma alcateia de cães-selvagens africanos realizou uma das maiores jornadas já registradas por mamíferos do continente ao percorrer mais de 4.000 quilômetros na Zâmbia. A viagem, que ficou conhecida por seu traçado zigue-zague e obstáculos naturais, ocorreu em meio a uma paisagem marcada pela ação humana, e causa surpresa pela resistência demonstrada pelos animais que, normalmente, vivem suas vidas dentro de áreas protegidas.
De acordo com o estudo publicado no periódico Ecology, o episódio aconteceu por volta de julho de 2025, quando duas irmãs passaram a se dispersar do seu território natural no Parque Nacional de Kafue, uma vasta extensão de mais de 22.000 km², considerada um verdadeiro paraíso para esses animais devido à sua abundância de presas e recursos de sobra. Ainda segundo a fonte, esse tipo de deslocamento, conhecido na biologia por dispersão, tem como objetivo reduzir a competição interna por recursos e evitar o acasalamento entre parentes próximos. Na prática, eles podem seguir duas estratégias: se submeter ao líder alfa e ajudar na criação, ou buscar novas áreas de reprodução, partindo para lugares diferentes.
O que chamou atenção foi a trajetória percorrida pelos cães. Enquanto as fêmeas permaneceram por semanas em regiões próximas ao parque, enfrentando menor proteção e recursos escassos, os machos decidiram seguir para regiões mais desprotegidas do leste da Zâmbia. Em setembro, após alguns meses de jornada, os irmãos tiveram um encontro breve, de apenas um dia, a aproximadamente mil quilômetros de casa. Depois disso, cada grupo seguiu por caminhos distintos: os machos evitaram principais rodovias, enquanto as fêmeas se refugiaram em áreas arborizadas, estratégias que, até então, não haviam sido confirmadas oficialmente como uma tática de sobrevivência ou fuga.
Infelizmente, a trajetória dessas irmãs foi interrompida por eventos trágicos. Uma delas provavelmente foi capturada em uma armadilha destinada à caça de animais silvestres, e pouco depois, a segunda teve sua coleira cortada, o que levou os pesquisadores a perderem todo o contato com as duas. Por outro lado, os machos conseguiram se estabelecer em uma nova região, no topo do Grande Vale do Rift, cerca de 419 km de seu ponto de origem, completando uma jornada de aproximadamente 4.126 km — um feito que, segundo a fonte, ainda não havia sido registrado neste nível na África. Essa longa travessia comprova a resistência e a capacidade de adaptação de cães-selvagens frente a ambientes cada vez mais desafiadores.
Por ora, a história dessas três irmãs e dos irmãos em busca de novos territórios traz à tona o impacto da ação humana em espécies selvagens e a importância de medidas de conservação. Sem uma confirmação oficial de que toda a jornada foi realmente registrada, ela serve como um alerta para compreender melhor o comportamento de animais dispersos e os riscos enfrentados durante suas migrações, que envolvem desde predadores naturais até armadilhas humanas. A pesquisa ainda está em andamento, aguardando novas fontes confirmarem detalhes dessa odisseia inédita.
O que sabemos?
- Alcateia de cães-selvagens na Zâmbia percorreu mais de 4.000 km.
- A jornada foi registrada em estudo publicado na revista Ecology.
- As irmãs se dispersaram do parque nacional de Kafue em julho de 2025.
- A duração total da viagem dos irmãos foi de cerca de 4.126 km, chegando a uma nova região no Grande Vale do Rift.
Fontes
- Superinteressante fonte especializada





