Primeiros micos-leões-da-cara-preta são vacinados contra febre amarela na Mata Atlântica
Iniciativa pioneira busca proteger espécie ameaçada de extinção na regiões do Paraná e São Paulo
Nesta temporada, três micos-leões-da-cara-preta receberam a vacina contra febre amarela no Paraná, enquanto outros seis deverão ser imunizados em São Paulo, em ação inédita de conservação.
Recentemente, uma ação inovadora chamou atenção na preservação de espécies ameaçadas na Mata Atlântica: a vacinação de micos-leões-da-cara-preta contra febre amarela. Segundo fontes da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS), três desses primatas, vivendo no Parque Nacional do Superagui, no litoral norte do Paraná, receberam as doses em julho. Ainda de acordo com a organização, outros seis micos da mesma espécie devem ser vacinados na segunda quinzena deste mês no Parque Lagamar de Cananéia, no litoral sul de São Paulo.
A iniciativa é considerada histórica por especialistas, pois é a primeira vez que a vacinação chega a esses animais em seu habitat natural, no contexto da preservação de uma espécie ameaçada de extinção. A ação decorre de um esforço de manejo coordenado pelos órgãos ambientais e pelas organizações de pesquisa, que buscam evitar que surtos de doenças como a febre amarela afetem ainda mais esses primatas, que vivem na mesma mata onde há cerca de 400 indivíduos distribuidos entre os parques. Segundo a bióloga Elenise Sipinski, da SPVS, a vacinação é fundamental porque “sabemos que os primatas são sensíveis à febre amarela, e as ações preventivas são essenciais para garantir a sua continuidade na natureza”.
A preocupação com o risco de febre amarela em primatas voltou a crescer após um surto registrado entre 2017 e 2018, que atingiu bugios, saguis, macacos-pregos e micos-leões-dourados, principalmente na região do Rio de Janeiro. A doença é transmitida pelo mosquito infectado e, até o momento, não há registro de mortes de micos-leões-da-cara-preta relacionadas ao vírus, o que reforça a importância da imunização como estratégia de preservação. Ainda assim, o desenvolvimento de uma vacina específica para esses primatas foi impulsionado por ações da Fundação Oswaldo Cruz e do Plano de Ação Nacional para a Conservação de Primatas da Mata Atlântica, em parceria com o ICMBio.
Na prática, uma adaptação do imunizante criado para humanos, usando vírus atenuado, vem sendo aplicada em grupos de micos-leões-dourados desde o final de 2020, em uma iniciativa da Associação Mico-Leão-Dourado. A novidade é que, até então, essa vacina não havia sido usada em animais na natureza, especialmente na região entre São Paulo e Paraná. Como esses primatas são considerados parentes próximos, os pesquisadores avaliam que a ameaça da febre amarela também se estende aos micos-leões-da-cara-preta, reforçando a necessidade de medidas preventivas.
Para os especialistas, a vacinação é uma estratégia adicional de proteção, complementando o monitoramento diário realizado por equipes da SPVS e da Fundação Florestal, que usam colares com rádios de telemetria para acompanhar os animais e facilitar intervenções. "Embora ainda não haja registro de mortes por febre amarela entre esses primatas, a vacinação é uma ação importante para evitar que a doença cause prejuízos à população”, ressalta o gestor da Fundação Florestal. A iniciativa reforça a importância da conservação de espécies em seus ambientes naturais e serve como exemplo de que ações preventivas podem fazer a diferença na proteção da biodiversidade em regiões ameaçadas pela doença viral.
O que sabemos?
- Micos-leões-da-cara-preta foram vacinados contra febre amarela na Mata Atlântica.
- Vacinação ocorreu em julho no Paraná e, em breve, no litoral sul de São Paulo.
- Primeira vez que a vacina chega a esses animais na natureza.
- A ação faz parte de esforços de conservação e prevenção de doenças em espécies ameaçadas.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





