Declaração de Trump sobre fracionar vacinas infantis causa debate nos EUA
Plano do presidente estadunidense é refutado por especialistas e envolve mudanças no calendário de imunizações
O presidente dos Estados Unidos anunciou que pretendia dividir alguns imunizantes em doses menores, alegando que isso reduziria casos de autismo, embora a tese não tenha respaldo científico. Além disso, mudanças na direção do Comitê de Autismo também foram anunciadas, envolvendo figuras controversas.
Nesta sexta-feira (18), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu ao afirmar que planeja exigir que os fabricantes de vacinas dividam alguns imunizantes infantis em cinco doses separadas. Segundo Trump, essa medida teria como objetivo 'reduzir maciamente' os casos de autismo entre crianças, uma tese que, ainda segundo ele, é apoiada por estudos próprios, embora essa afirmação não tenha respaldo na comunidade científica. Ele explicou que a ideia seria administrar as doses em intervalos de seis meses, aplicando 'uma pequena quantidade da vacina no corpo'.
O anúncio foi feito durante uma coletiva no Salão Oval da Casa Branca. No entanto, ainda não há confirmação oficial sobre quais vacinas o governo pretende dividir ou quando essa mudança poderá ocorrer. Além de propor essa alteração, Trump já havia assinado, em agosto passado, um decreto que reduz o número de vacinas obrigatórias, limitando o calendário a 11 imunizações. Segundo ele, essa ação visa oferecer uma proteção 'padrão ouro' às crianças norte-americanas e alinhar o país a outras nações que recomendam menos doses.
Outra mudança apontada acompanha a nomeação de um novo líder para o Comitê Interagências de Coordenação do Autismo (IACC), órgão importante na formulação de políticas públicas relacionadas ao transtorno. Segundo informações de fontes próximas às atividades do governo, John Gaitanis, neurologista pediátrico e diretor do Instituto de Saúde Infantil dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH), foi indicado para substituir Sylvia Fogel na presidência do comitê. Fogel, que é professora na Faculdade de Medicina de Harvard e mãe de um adulto com autismo, vinha propondo a adoção de termos como 'autismo profundo' para descrever pessoas com altas necessidades de suporte.
Embora a mudança seja vista como uma tentativa de reforçar a agenda ligada às opiniões do secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., ligado à oposição às vacinas e à promoção de uma suposta ligação entre imunizações e autismo, ela também foi alvo de controvérsia. Kennedy afirmou que Gaitanis foi nomeado por ele, apontando que, tradicionalmente, o presidente do comitê é um dos membros do governo federal. A porta-voz do departamento de Saúde explicou que a presença de um presidente do governo reforçaria o foco do órgão na implementação de estratégias, mantendo Fogel como integrante do grupo.
Até o momento, o governo não confirmou oficialmente a implementação de nenhuma dessas mudanças, e a comunidade científica internacional continua a rejeitar qualquer relação entre vacinas e autismo. Ainda assim, as declarações do presidente geram debate e dúvidas sobre a direção que as políticas de saúde pública dos EUA poderão tomar nos próximos meses.
O que sabemos?
- Trump afirmou que vai dividir vacinas infantis em cinco doses.
- A medida visa suposta redução de autismo, sem respaldo científico.
- Trump assinou em agosto um decreto limitando o calendário de vacinação a 11 imunizações.
- Nomeação de John Gaitanis para liderar o Comitê de Autismo foi anunciada.
- Fogel é professora em Harvard e mãe de um adulto com autismo.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa




