Pesquisa brasileira avança na busca por cura do HIV sem transplantes
Estudo na Unifesp tenta replicar mecanismos imunológicos para eliminar o vírus de forma mais segura e acessível
Após 45 anos de epidemia, a ciência já conseguiu curar 13 pessoas do HIV em situações específicas, mas ainda busca um tratamento mais simples. Pesquisadores no Brasil estão na linha de frente dessa busca, com um estudo que promete avançar o conhecimento.
Depois de mais de quatro décadas de luta contra o HIV, a esperança por uma cura definitiva começa a virar realidade, pelo menos para um grupo de pesquisadores e médicos. Segundo um levantamento divulgado pelo g1, a ciência já registrou 13 pessoas que foram consideradas curadas do vírus, todas após procedimentos de transplante de células-tronco feitos para tratar doenças graves, como leucemia ou linfoma. Apesar do avanço, o procedimento ainda é bastante invasivo e de alto risco, o que torna sua aplicação limitada e inviável para a maioria das pessoas vivendo com HIV.
Para entender por que esses casos representam um marco, é importante saber que o maior desafio na cura do HIV é eliminar os chamados reservatórios virais. Esses são locais onde o vírus consegue permanecer escondido no organismo, em um estado de dormência, mesmo quando a pessoa faz uso de medicamentos antirretrovirais — que controlam a multiplicação do vírus e deixam a carga viral indetectável. Assim, ao interromper o tratamento, o HIV pode voltar a se multiplicar, já que esses reservatórios ainda abrigam partículas virais capazes de reativar a infecção.
Segundo o infectologista Ricardo Diaz, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e responsável por uma pesquisa nesse campo, o avanço atual é que se busca simular os mecanismos imunológicos envolvidos nas curas por transplante, porém de forma mais segura, com estratégias que não dependam desse procedimento de alto risco.
O estudo que Diaz lidera na Unifesp, ainda em fase inicial, pretende testar uma nova combinação de medicamentos em 60 voluntários, com o objetivo de atacar e controlar esses reservatórios virais de maneira mais eficiente. Diaz comentou que, embora o cenário ainda seja de muita expectativa, há sinais de que, nos próximos anos, possa surgir uma modalidade de tratamento que não dependa de transplantes, o que seria uma grande conquista na luta contra o HIV.
Enquanto isso, no Brasil, há também um caso de um paciente que ficou cerca de um ano em remissão após receber uma combinação de medicamentos; no entanto, após esse período, o vírus voltou a se multiplicar, demonstrando a complexidade do tema. Ainda não há confirmações de resultados definitivos dessa abordagem no país, e o próprio Diaz reforça que a busca por uma cura continuar, com esperança de que novas descobertas possam mudar esse quadro.
Nos últimos anos, o mundo da ciência passou a falar de cura do HIV como um objetivo cada vez mais próximo, mas reconhece que ainda há muitas etapas a serem vencidas. Segundo a Sociedade Internacional de AIDS (IAS), o esforço mundial concentra-se agora em entender melhor o funcionamento dos reservatórios virais e desenvolver estratégias que possam eliminá-los de forma segura e acessível para todos. Para além de avanços técnicos, esse esforço representa uma esperança real de que, um dia, o HIV deixe de ser uma sentença de por vida e passe a ser uma condição controlável, como ocorre com outras doenças crônicas.
O que sabemos?
- 13 pessoas consideradas curadas do HIV após transplantes de células-tronco
- Transplantes feitos para tratar cânceres graves
- Pesquisa no Brasil tenta reproduzir mecanismos imunológicos de cura
- Estudo da Unifesp com 60 voluntários para testar nova combinação de medicamentos
- Paciente brasileiro ficou um ano em remissão, mas vírus retornou
Fontes
- G1 imprensa




