Estudo em Pelotas revela aumento de obesidade e transtornos mentais na juventude de 30 anos
Pesquisa acompanha geração nascida em 1993 e aponta mudanças na saúde e no mercado de trabalho
Uma pesquisa realizada pela UFPel revela que, aos 30 anos, a geração de Pelotas apresenta crescimento na obesidade, transtornos mentais e tabagismo, apesar de avanços na educação e emprego.
Uma recente pesquisa conduzida pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), segundo informações obtidas junto à própria instituição, aponta que, ao chegar aos 30 anos, a geração nascida em 1993 passou a conviver com indicadores preocupantes de saúde, além de avanços na educação e no mercado de trabalho.
O estudo, que acompanha os participantes desde os seus primeiros dias de vida, entrevistou 3.333 pessoas na fase atual e revelou que a taxa de obesidade nesse grupo saltou para 32,9%, quase o dobro do percentual registrado aos 22 anos, que era de 16,2%. Além disso, os transtornos mentais comuns, incluindo ansiedade e depressão, atingiram 38,2% dos participantes, com maior incidência entre as mulheres, enquanto 17,7% se declararam fumantes e 12,8% utilizam cigarros eletrônicos diariamente.
De acordo com a coordenadora do estudo, Helen Gonçalves, os dados refletem uma rápida transformação no modo de vida e na saúde dessa geração. Ela destaca que, durante o período entre os 22 e os 30 anos, o nível de escolaridade aumentou de 9,8 para 10,3 anos de estudo em média. Nesse mesmo período, a participação no mercado de trabalho cresceu de 63% para 75,7%. Contudo, as diferenças de gênero se mostram marcantes quando se analisa quem deixou o mercado de trabalho: quase metade das mulheres (48,4%) deixou de trabalhar para cuidar dos filhos, contra apenas 0,9% entre os homens, que justificaram a ausência por falta de oportunidades ou problemas de saúde.
Esses números evidenciam, ainda segundo a pesquisadora, uma sobrecarga de tarefas domésticas e de cuidado que recai desproporcionalmente sobre as mulheres, o que pode limitar sua permanência no mercado de trabalho e influenciar seus indicadores de saúde. Além disso, o aumento expressivo na prevalência de obesidade foi acompanhado por uma de suas principais causas, o excesso de peso, avaliado por métodos de alta precisão, como DXA e BodPod, durante as avaliações presenciais do estudo.
Os resultados ainda não foram confirmados oficialmente por outras fontes, e o próprio estudo aponta para a necessidade de maior acompanhamento para entender completamente os fatores que contribuem para esses avanços na obesidade e saúde mental. Mesmo assim, os dados levantam uma preocupação importante: uma geração que conquistou avanços na área educacional e no mercado de trabalho, mas que também enfrenta o aumento de fatores de risco que podem impactar sua saúde a longo prazo.
O que sabemos?
- A geração nascida em 1993 em Pelotas foi estudada aos 30 anos.
- Taxa de obesidade do grupo chegou a 32,9%.
- Transtornos mentais comuns atingiram 38,2%.
- Quase metade das mulheres deixou o emprego para cuidar dos filhos.
- Dados mostram aumento na prevalência de tabagismo.
- Melhorias na educação e emprego foram observadas.
- A pesquisa acompanha essa geração desde o nascimento.
Fontes
- G1 imprensa




