Saúde

Estudo revela que melanoma pode surgir fora da pele e ser altamente agressivo

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Especialistas alertam para riscos de melanoma extracutâneo e a importância do diagnóstico precoce

Imagem ilustrativa de células de melanoma sob microscópio
Imagem: Agência Brasil

Pesquisas recentes destacam que o melanoma, tradicionalmente associado à pele, também pode se manifestar em órgãos internos, mucosas e estruturas extracutâneas, com maior risco de metástase.

Segundo a Fundação do Câncer, o melanoma é uma neoplasia maligna que surge a partir das células produtoras de melanina, os melanócitos, podendo aparecer, além da pele, em locais extracutâneos como o olho, mucosas da cavidade oral, e órgãos internos do sistema digestório e geniturinário. Ainda não há confirmação oficial sobre a prevalência exata dessas formas de manifestação, mas os especialistas ressaltam que essa variedade aumenta o desafio de diagnóstico e tratamento. A 12ª edição do boletim "Análises e Tendências em Câncer", lançada recentemente, dedica atenção especial ao tema, com o título "Melanoma: nem sempre na pele", enfatizando a necessidade de ampliar o conhecimento sobre esse câncer menos comum, porém mais agressivo.

De acordo com o boletim, o melanoma extracutâneo, embora seja uma ocorrência rara, apresenta maior potencial de agressividade, pois possui maior capacidade de metastatizar, ou seja, espalhar-se para outros tecidos e órgãos. Como explica o estudo, compreender essa diversidade é fundamental para prevenir, diagnosticar cedo e planejar políticas públicas mais eficientes. Ainda segundo a publicação, o enfrentamento da doença no Brasil requer uma articulação entre diferentes especialidades médicas, incluindo dermatologia, oftalmologia e oncologia, além da atenção básica à saúde. Alfredo Scaff, consultor médico da Fundação do Câncer e coordenador do estudo, reforça que “controlar o câncer é realizar o diagnóstico da forma mais precoce possível e iniciar o tratamento rapidamente, pois o câncer tem cura quando detectado cedo”.

Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o padrão de tratamento mais utilizado para o melanoma inclui cirurgia do tumor primário e remoção dos linfonodos envolvidos. Entre 2014 e 2023, dados indicam que essa intervenção cirúrgica foi responsável por 84,7% dos procedimentos relacionados ao melanoma de pele em todo o país, com destaque para a Região Sudeste, onde esse índice chega a 89,6%. Na Região Norte, por outro lado, o percentual foi de 64,4%, apontando diferenças regionais no acesso a tratamentos especializados. Ainda conforme a Fundação do Câncer, a maior parte dos pacientes realiza o tratamento na própria região onde reside, mas há uma parcela significativa que precisa se deslocar para áreas mais especializadas, especialmente na região Centro-Oeste, onde esse deslocamento atinge 20,2%, indicando um importante gargalo na assistência.

Além da cirurgia, a quimioterapia continua sendo uma prática comum no tratamento de melanoma, sobretudo nos casos mais avançados. Ainda não há confirmação oficial, mas a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, em 2016, o uso de medicamentos da classe anti-PD-1, como nivolumabe, pembrolizumabe, considerados avanços importantes no combate à doença. Recentemente, também foi aprovado no Brasil o tebentafuspe, um medicamento específico para melanoma ocular metastático ou inoperável, embora ainda não haja informações confirmadas de sua aplicação em larga escala ou dos resultados clínicos associados. Essas estratégias terapêuticas representam passos importantes na tentativa de melhorar a sobrevivência de pacientes com formas mais difíceis de melanoma.

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O que sabemos?

  • Melanoma pode surgir fora da pele, em órgãos internos, mucosas e estruturas extracutâneas.
  • O melanoma extracutâneo é mais agressivo e possui maior risco de metástase.
  • No Brasil, entre 2014 e 2023, a cirurgia foi o tratamento inicial mais comum, representando 84,7% dos procedimentos.
  • Região Sudeste lidera em procedimentos cirúrgicos, com 89,6% dos casos; Norte registra 64,4%.
  • Maior parte dos pacientes realiza tratamento na própria região, mas há deslocamentos, especialmente no Centro-Oeste (20,2%), indicando dificuldades de acesso.

Fontes

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