Incêndio em lixão de Manaus causa fumaça tóxica e dificulta fiscalização
Fumaça se espalha pela cidade e preocupa órgãos ambientais devido aos riscos à saúde
Um incêndio de grandes proporções atingiu um lixão no Distrito Industrial 2, Zona Leste de Manaus, na tarde de terça-feira (6). A fumaça produzida pelo fogo rapidamente se espalhou por diversos bairros, elevando os índices de poluição atmosférica e gerando alertas de saúde pública.
Na tarde de terça-feira (6), um incêndio começou em um terreno de descarte irregular de resíduos no Distrito Industrial 2, na Zona Leste de Manaus, e, até a manhã desta quarta-feira (7), persistia ativo, com as chamas consumindo uma área superior a 15 mil metros quadrados. Segundo informações do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM), o combate às chamas mobilizou 16 bombeiros, quatro viaturas, brigadistas e apoio de empresas locais, usando mais de 150 mil litros de água. Ainda assim, o fogo não foi totalmente controlado, pois há focos ativos, risco de explosões e temperaturas elevadas que dificultam o acesso ao interior do depósito.
Segundo uma fiscal do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), a fumaça resultante do incêndio é considerada prejudicial à saúde, especialmente por se tratar de uma área de descarte irregular, cuja licença é apenas para resíduos inertes, ou seja, materiais que não inflamam. A fonte dessa informação foi Maria do Carmo, fiscal e analista ambiental do órgão, que ressaltou ainda que, caso análises futuras confirmem irregularidades no armazenamento, o empreendimento poderá sofrer penalizações ambientais.
O impacto da fumaça alcançou diferentes regiões de Manaus, contribuindo para uma piora na qualidade do ar. Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), indicaram que às 6h20 desta quarta, doze pontos de monitoramento apresentavam índices de qualidade do ar considerados moderados, enquanto outros três, incluindo bairros como Morro da Liberdade, Compensa e Nossa Senhora das Graças, exibiam níveis considerados ruins, com uma concentração de partículas de até 74,3 microgramas por metro cúbico (µg/m³). Para contexto, a Organização Mundial da Saúde recomenda limites de até 25 µg/m³, acima do qual os riscos à saúde aumentam.
Devido à situação, a equipe do Ipaam orientou a população a evitar a exposição à fumaça, recomendando o uso de máscaras e a permanência em locais fechados até que a dispersão do material tóxico aconteça. Os fiscais ainda não conseguiram acessar o interior do depósito para uma inspeção mais detalhada, pois o risco de explosões, as altas temperaturas e a presença de focos de incêndio impedem a entrada no momento. Um drone foi utilizado para avaliar a extensão dos danos, uma estratégia que deve ajudar na tomada de decisões administrativas e possíveis ações de controle.
O incêndio teve início na tarde de terça-feira, em uma área de descarte irregular de resíduos na região e foi considerado confinado pelo Corpo de Bombeiros, que declarou não haver risco de propagação às áreas próximas. Até o momento, as autoridades utilizam os dados do sistema de monitoramento e as inspeções visuais para entender a origem do fogo e seus impactos, assim como avaliar possíveis ações de responsabilização, caso haja descumprimento das licenças ambientais. A situação segue sob atenção, com moradores e órgãos de fiscalização atentos às consequências desta emergência ambiental.
O que sabemos?
- Fumaça de incêndio em lixão de Manaus se espalha pela cidade
- Incêndio começou na tarde de terça-feira (6), na Avenida dos Oitis
- Fogo já dura quase 20 horas e atinge mais de 15 mil metros quadrados
- Fumaça prejudicial à saúde atingiu bairros como Morro da Liberdade, Compensa e Nossa Senhora das Graças
- Sistema de monitoramento indica níveis ruins de qualidade do ar em vários pontos de Manaus
Fontes
- G1 imprensa





