Ghosting: por que desaparecer sem explicação dói tanto e como isso afeta o corpo
Especialistas explicam como o fim abrupto de um relacionamento ativa áreas do cérebro ligadas à dor física e provoca sofrimento emocional intenso
O ghosting, prática onde uma pessoa interrompe repentinamente o contato sem justificativas, gera efeitos que vão além do emocional, atingindo o corpo e desencadeando uma dor comparável à física.
Na era digital, o ghosting — prática que consiste em desaparecer sem dar explicações durante um relacionamento, seja no início das conversas ou em namoros longos — vem ganhando cada vez mais atenção não apenas pela experiência emocional negativa que causa, mas também pelo impacto físico e psicológico que deixa nas pessoas. Segundo especialistas em neurociência e psicologia, essa ruptura abrupta e sem aviso prévio pode provocar uma dor real no corpo, similar à sofrida numa lesão física.
A psicóloga Jennice Vilhauer, doutora em psicologia clínica que escreve para o periódico Psychology Today, destacou, em entrevista à American Psychological Association, que "dor física e dor emocional estão na mesma via neural". Para ela, a rejeição social desencadeada pelo ghosting ativa a mesma região no cérebro responsável por processar a dor corporal. "Rejeição social pode provocar o mesmo grau de dor de uma lesão corporal, e ativa a mesma região do seu cérebro", afirmou. Vilhauer também comentou que, devido a essas descobertas, há estudos que indicam que analgésicos podem ser eficazes em aliviar o sofrimento emocional em casos agudos.
Além do impacto neural, o ghosting traz uma combinação de sentimentos difíceis de enfrentar. Quem sofre pode experimentar rejeição, tristeza, confusão e abandono — emoções típicas de qualquer término, porém agravadas pela ausência de encerramento e explicações. "O ghosting cria uma sensação de desregulação emocional e falta de controle", explica a psicóloga, ressaltando que a ausência de contato pode tanto simbolizar o fim definitivo do relacionamento quanto resultar de outras questões como estresse, doença ou imprevistos, o que amplia o sofrimento e a incerteza das vítimas.
O ghosting pode desencadear um processo de luto semelhante ao que ocorre em términos mais convencionais, porém marcado por um componente de ambiguidade que dificulta a superação.
O que sabemos?
- O ghosting é a interrupção brusca e não justificada das comunicações com uma pessoa, podendo ocorrer em qualquer etapa do relacionamento.
- O ghosting pode provocar sentimentos de rejeição, tristeza, confusão e abandono, iniciando um processo de luto.
- Dor física e dor emocional compartilham a mesma via neural, segundo a psicóloga Jennice Vilhauer.
- A rejeição social ativa regiões do cérebro ligadas à dor física.
- Estudos sugerem que analgésicos podem ajudar a aliviar estados agudos de sofrimento emocional.
- A ausência de contato no ghosting gera incerteza, pois pode significar término ou estar relacionada a outras situações como estresse ou doença.
- O ghosting pode causar desregulação emocional e sensação de falta de controle.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





