Ondas de calor podem elevar risco de AVC em São Paulo, indica estudo da USP
Pesquisa aponta aumento de até 44% em acidentes vasculares cerebrais após dias com temperaturas iguais ou acima de 33 graus Celsius na capital paulista
Levantamento da Faculdade de Saúde Pública da USP mostra que períodos prolongados de calor intenso favorecem o crescimento nos casos de AVC em São Paulo, sobretudo entre mulheres e grupos sociais específicos.
O calor extremo que atinge a cidade de São Paulo pode ter efeitos mais graves do que se imagina, segundo pesquisa recente da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP). O estudo revelou que ondas de calor - definidas como episódios de pelo menos dois dias consecutivos com temperaturas iguais ou superiores a 33 °C - podem aumentar o risco de acidente vascular cerebral (AVC) em até 44%.
A análise levou em conta os registros de pacientes atendidos no Hospital Universitário da USP entre 2006 e 2014. Conforme relatado por Lara Andressa Ordonhe, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Saúde Pública da USP e autora da pesquisa, o foco foi observar como a exposição a altas temperaturas influencia diretamente nos casos de AVC. "A relação entre temperaturas extremas e doenças cardiovasculares já era uma hipótese conhecida, mas ainda era necessário compreender como ela se manifestava, especificamente em uma cidade como São Paulo", explicou Lara.
Os dados indicam que, ao analisar os casos nos dois dias anteriores ao AVC, o risco aumentou 44%. Quando considerados os cinco dias anteriores, essa probabilidade foi de cerca de 42%. Além disso, os pesquisadores apontaram que a cada dia adicional de uma onda de calor, o risco de AVC associado aumentou aproximadamente 12%.
Outro aspecto relevante do estudo é a variação nos efeitos conforme o perfil social dos pacientes. Lara Andressa Ordonhe mencionou que a associação entre calor extremo e AVC foi mais significativa entre mulheres e pessoas com determinados níveis de escolaridade. As diferenças foram atribuídas a possíveis fatores sociais, como condições de moradia e diferentes níveis de exposição às altas temperaturas, o que pode agravar a vulnerabilidade desses grupos.
O que sabemos?
- Ondas de calor em São Paulo são definidas como pelo menos dois dias com temperatura ≥ 33°C.
- Estudo USP analisou pacientes do Hospital Universitário entre 2006 e 2014.
- Risco de AVC aumenta até 44% após eventos de calor extremo.
- Exposição prolongada e fatores sociais influenciam na vulnerabilidade ao AVC.
Fontes
- Jornal da USP fonte oficial




