Saúde

Fatores de risco não divulgados aumentam o perigo do AVC para mulheres, alerta especialista

Em apuração ?

Neurologista destaca diferenças Sexuais e fatores inesperados que elevam a vulnerabilidade feminina ao acidente vascular cerebral

Imagem: G1

A neurologista explica como alterações hormonais, fases da vida e fatores relacionados ao uso de contraceptivos influenciam o risco de AVC em mulheres, além de reforçar a importância de uma avaliação completa do histórico médico.

Durante o XXXII Congresso Brasileiro de Neurologia, realizado entre 7 e 10 de outubro, a médica Letícia Januzi de Almeida Rocha, neurologista do Hospital Universitário da UFAL e vice-presidente da Sociedade Brasileira de AVC, trouxe à tona uma questão pouco discutida: os fatores de risco subestimados que tornam o AVC mais perigoso para as mulheres. Segundo ela, diferentemente dos homens, as mulheres possuem fatores sexuais específicos, como alterações hormonais e fases da vida reprodutiva, que podem dificultar a identificação do risco e atrasar o tratamento.

De acordo com a especialista, a experiência com o fenótipo vascular, que representa as características dos vasos sanguíneos de uma pessoa influenciadas por fatores genéticos e ambientais, revela importantes detalhes do risco. Ela explicou que mudanças como puberdade precoce ou tardia, o uso de métodos contraceptivos de alta dose de estrogênio, principalmente em mulheres com mais de 35 anos e fatores de risco adicionais como tabagismo, hipertensão e enxaqueca com aura, podem alterar significativamente as probabilidades de sofrer um AVC.

A fase da gravidez também foi destacada por Rocha como um período de estresse para o sistema cardiovascular. Ela pontuou que condições como pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, insuficiência placentária e parto em menor de 37 semanas aumentam, de forma potencial, a chance de um acidente vascular cerebral no longo prazo. Nesse momento, o corpo da mulher passa por alterações hemodinâmicas importantes que podem impactar a saúde vascular futuramente.

Outro momento de mudança drástica na saúde vascular da mulher ocorre na menopausa, quando a queda na produção de estrogênio, hormônio que possui efeito protetor, acelera o envelhecimento vascular e aumenta o risco de neurodegeneração. Ainda segundo a especialista, embora o risco de AVC até os 55 anos seja maior em homens — cerca de 30% — esse cenário se inverte na velhice, uma vez que a perda do efeito protetor do estrogênio torna as mulheres mais vulneráveis aos fatores comuns de risco, como hipertensão, fibrilação atrial e diabetes. Rocha destacou que o diabetes, por exemplo, aumenta em 27% as chances de uma mulher sofrer um AVC, demonstrando a magnitude do impacto.

Apesar de alguns fatores de risco serem similares para ambos os sexos, Rocha acrescenta que as mulheres tendem a manifestar esses problemas de forma mais agressiva, o que reforça a necessidade de uma avaliação médica cuidadosa e contínua. Ela também mencionou condições relacionadas, como a enxaqueca com aura, que, embora não sejam estritamente vasculares, possuem implicações na saúde cerebral feminina, embora essa informação ainda precise ser confirmada oficialmente por outras fontes além do G1, que divulgou esse dado até o momento. Ainda não há confirmação se esses fatores adicionais contribuem de forma decisiva, mas a médica enfatiza a importância de considerar esse histórico na prevenção.

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O que sabemos?

  • Fatores de risco do AVC em mulheres incluem alterações hormonais e fases da vida reprodutiva.
  • Contraceptivos de alta dose de estrogênio podem elevar o risco, especialmente após os 35 anos.
  • Pré-eclâmpsia e outras complicações na gravidez aumentam a vulnerabilidade ao AVC a longo prazo.
  • Na menopausa, a queda de estrogênio impacta negativamente a saúde vascular.
  • O risco de AVC é maior em mulheres após os 55 anos devido à perda do efeito protetor do estrogênio.

Fontes

  • G1 imprensa
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