Saúde

Fonoaudiologia conquista espaço no ranking universitário após crescimento expressivo no país

Em apuração ?

Curso estreia no RUF com aumento de 72% nos ingressantes em uma década e destaque na USP e PUC-SP

Estudante de fonoaudiologia durante aula prática
Imagem: Folha de S.Paulo

Nos últimos anos, a demanda por formação em fonoaudiologia cresceu significativamente, impulsionando o reconhecimento da profissão e a evolução do ensino superior na área.

Nos últimos anos, o curso de fonoaudiologia no Brasil experimentou uma expansão notável, com um aumento de 72% no número de ingressantes entre 2015 e 2024, segundo dados do Censo da Educação Superior do Inep. O crescimento de 814 para 6.550 estudantes na modalidade presencial elevou a disciplina ao 35º lugar no ranking de cursos mais procurados no país.

Essa ascensão acompanha a ampliação do campo de atuação dos profissionais, que hoje atuam além do tradicional trabalho com fala e voz. Assim, a profissão abrange áreas como audiologia, linguagem, voz, atuação hospitalar, reabilitação neurológica, desenvolvimento infantil, envelhecimento e saúde coletiva. Ainda segundo a fonte, a pandemia de Covid-19 contribuiu para a maior visibilidade do setor, principalmente nas unidades de terapia intensiva (UTIs), onde os fonoaudiólogos passaram a atender pacientes após a intubação, lidando com dificuldades de deglutição, riscos de broncoaspiração e alterações cognitivas respitórias e de comunicação.

Uma pesquisa de doutorado na Unesp revelou, ainda, que a infecção pelo SARS-CoV-2 pode afetar o processamento auditivo, uma função cerebral que permite distinguir vozes em ambientes barulhentos, por exemplo. Segundo a pesquisadora Simone Sperança, mesmo pacientes sem perda auditiva aparente apresentaram alterações em pelo menos uma habilidade relacionada ao processamento auditivo central, o que reforça a complexidade e a diversidade de atuação da profissão. Essa nova perspectiva de atuação reforça o perfil abrangente do profissional de fonoaudiologia, que hoje vai além da voz, atuando em audição, linguagem, deglutição, saúde neurológica e coletiva.

O destaque no cenário acadêmico ficou por conta da USP (Universidade de São Paulo), que mantém um dos cursos mais tradicionais e pioneiros na área, criado em 1958, e figura no topo do ranking geral. Entre as instituições privadas, a PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) aparece na sexta colocação, sinalizando a crescente demanda por formação na área privada também. Segundo ainda a fonte, essa expansão e reconhecimento evidenciam uma profissão em contínuo desenvolvimento, que deve continuar a evoluir com novas especialidades e um papel mais presente na saúde pública e privada.

Enquanto o panorama acadêmico se consolida, ainda permanecem muitas possibilidades de especialização e atuação, deixando claro que a fonoaudiologia hoje é uma profissão muito mais ampla do que simplesmente tratar problemas de fala e voz, refletindo também uma demanda crescente por cuidados em audição, comunicação e reabilitação em diferentes contextos.

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O que sabemos?

  • O número de ingressantes em cursos de fonoaudiologia cresceu 72% entre 2015 e 2024.
  • A USP, criada em 1958, lidera o ranking de instituições na área.
  • A pandemia de Covid-19 aumentou a visibilidade da profissão, especialmente nas UTIs.
  • Uma pesquisa na Unesp mostrou que a infecção por SARS-CoV-2 pode afetar o processamento auditivo.

Fontes

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