Saúde

Estudo na Unesp sugere que inalação de ar rarefeito pode ajudar na terapia do Parkinson

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Pesquisadores avaliam segurança e efeitos da hipóxia controlada em pacientes com doença de Parkinson

Ilustração de uma pessoa respirando com equipamento de hipóxia em ambiente de laboratório
Imagem: Agência FAPESP

Uma pesquisa preliminar conduzida na Universidade Estadual Paulista indica que a exposição controlada a ar com baixa oxigenação, semelhante ao encontrado em altas montanhas, pode modular hormônios ligados à inflamação em pessoas com Parkinson, sem prejudicar o sono.

Na busca por novos tratamentos para a doença de Parkinson, um estudo divulgado pela Agência FAPESP aponta que a inalação controlada de ar rarefeito — como o encontrado no topo de grandes montanhas — pode ser uma estratégia segura e eficaz para melhorar alguns aspectos metabólicos e inflamatórios da enfermidade. Segundo os autores, essa técnica, chamada de hipóxia intermitente, ativa mecanismos de proteção no organismo sem causar efeitos adversos, como alterações no sono, e tem potencial para ser usada como terapia complementar ao exercício físico. Conduzido na Universidade Estadual Paulista (Unesp), o estudo ainda está em fase preliminar, mas seus resultados apontam para uma redução momentânea nos níveis de cortisol, o hormônio do estresse, e de leptina, ligado ao metabolismo e à saciedade. Mais significativo ainda, foi observada uma elevação sustentada na adiponectina, substância de ação anti-inflamatória, cuja irregularidade costuma estar relacionada às manifestações da doença. Essa elevação persistiu mesmo 24 horas após a sessão de hipóxia, o que levanta a possibilidade de efeitos duradouros na redução da inflamação cerebral. Segundo Murilo Henrique Faria, primeiro autor do estudo, o desequilíbrio dessas substâncias está frequentemente ligado a processos inflamatórios, desregulação hormonal e problemas de sono em pacientes com Parkinson. Ainda de acordo com ele, esses efeitos positivos indicam que a técnica pode ajudar a regular o metabolismo e melhorar, indiretamente, a qualidade do sono, uma das queixas comuns da doença. A pesquisa foi conduzida com voluntários que passaram por uma única sessão de hipóxia intermitente, demonstrando que essa prática não apresenta riscos à saúde dos participantes, O estudo não aponta, até o momento, que essa técnica substitua medicamentos ou tratamentos convencionais, sendo apenas uma possível estratégia de apoio. A equipe da Unesp enfatiza que novas investigações são necessárias para determinar o impacto de sessões repetidas e protocolos de longo prazo, além de confirmar os benefícios observados até agora.
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O que sabemos?

  • Uma sessão de hipóxia intermitente pode reduzir temporariamente os níveis de cortisol e leptina em voluntários com Parkinson.
  • A técnica aumenta a adiponectina, substância anti-inflamatória, que permanece elevada por pelo menos 24 horas após a sessão.
  • Estudos preliminares indicam que a abordagem é segura, sem causar efeitos adversos no sono ou na saúde.
  • Pesquisadores veem potencial na hipótese de usar a técnica como complemento ao exercício físico no tratamento da doença.

Fontes

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