Estudo revela ligação entre tempo de tela e desenvolvimento infantil
Pesquisadores analisaram quase três milhões de crianças de 18 anos ou menos em 64 países
Um estudo divulgado na revista JAMA Pediatrics indica que quanto mais tempo as crianças passam em frente às telas, maior a chance de prejudicar aspectos como aprendizagem, fala e regulação emocional. Ainda que o impacto seja relativamente pequeno, especialistas alertam para o uso consciente.
Segundo uma pesquisa recente publicada na revista JAMA Pediatrics, há uma ligação entre o tempo que as crianças passam diante das telas — como televisão, tablets e smartphones — e seu desenvolvimento. A autora sênior do estudo, Sheri Madigan, professora de psicologia na Universidade de Calgary, no Canadá, afirmou à CNN que a análise revisou décadas de pesquisas sobre o tema, envolvendo quase três milhões de crianças com até 18 anos de idade de 64 países diferentes. Os resultados mostram que, em linhas gerais, crianças que permanecem mais tempo com dispositivos digitais tendem a apresentar resultados piores em áreas essenciais de seu crescimento, como a aprendizagem, a fala e a capacidade de regular emoções.
Madigan comentou que estudos mais recentes têm mostrado uma associação mais forte entre o uso de telas e dificuldades no desenvolvimento infantil, embora, ela mesmo ressalte, essas associações ainda sejam de intensidade relativamente pequena. “A maioria das associações era relativamente pequena, como a maioria dos outros preditores do desenvolvimento infantil, mas pequena não significa sem sentido, especialmente quando falamos de uma exposição quase universal na vida das crianças”, explicou. A mudança no padrão de uso da tecnologia ao longo dos anos pode explicar essa tendência crescente, sugeriu a pesquisadora.
Apesar das preocupações, ela contextualiza que o estudo não deve levar os pais a acreditarem que as telas são inerentemente ruins. “A tecnologia é uma parte importante da vida das crianças e as tecnologias digitais podem ser ferramentas maravilhosas para apoiar a aprendizagem, a criatividade e a conexão”, afirmou Madigan. Porém, ela alerta que o uso excessivo ou mal direcionado pode sufocar necessidades básicas, como o sono, a atividade física, o contato humano, o aprendizado e a brincadeira. Como estratégia, ela aconselha que os pais criem limites, como refeições sem dispositivos ou horários específicos para uso, de modo a favorecer uma convivência mais equilibrada familiar.
Para além das famílias, Madigan defende que os governos tenham um papel na regulação do uso de telas por crianças, propondo orientações oficiais, campanhas educativas e ações para proteger os menores de potenciais danos online. Ainda de acordo com ela, “os governos devem tratar o uso de telas infantil da mesma forma que tratam outros fatores que sabemos estar associados ao bem-estar das crianças, inclusive por meio de orientações, educação e pesquisa”. A pesquisadora também indica que futuras investigações devem explorar quais faixas etárias ou contextos sociais estão mais vulneráveis às influências do uso digital, além de esclarecer se o uso excessivo causa efeitos negativos ou se crianças com dificuldades tendem a usar mais telas. Por ora, ela enfatiza que, embora os dados sejam correlacionais, é importante entender que o uso de telas pode estar tanto contribuindo quanto sendo uma resposta às dificuldades de desenvolvimento.
O que sabemos?
- Estudo publica na revista JAMA Pediatrics relaciona tempo de telas e dificuldades no desenvolvimento infantil.
- Análise revisou quase três milhões de crianças de 64 países.
- Mais tempo em telas está associado a piores resultados em aprendizagem, fala e regulação emocional.
- Especialistas ressaltam a importância do uso consciente e de limites.
- Governos são convidados a criar orientações e políticas de proteção às crianças na era digital.
Fontes
- CNN Brasil imprensa




