Saúde

Estudo revela alta adesão ao uso de PrEP injetável contra HIV no Brasil

Em apuração ?

Pesquisa indica proteção superior e redução de infecções com aplicação de injeções de ação prolongada

Ilustração de uma seringa representando a PrEP injetável contra HIV
Imagem: G1

Um estudo da Fiocruz aponta que a PrEP injetável tem alta aceitação entre jovens brasileiros e oferece maior proteção contra o HIV em comparação à fórmula oral. O estudo acompanha participantes de seis capitais brasileiras e apresenta resultados promissores para o combate à epidemia.

Uma pesquisa conduzida pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), publicada nesta quinta-feira (24) na revista científica The Lancet HIV, trouxe dados animadores sobre o uso da profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV por meio de injeções de ação prolongada, conhecidas como cabotegravir. Segundo os pesquisadores, a adesão ao método injetável foi de impressionantes 90,8% dos dias de acompanhamento, enquanto a versão oral, já disponibilizada gratuitamente pelo SUS, apresentou um índice bem menor, de 35,5%, reforçando a preferência por uma proteção mais eficiente e prática.

O estudo, chamado ImPrEP CAB Brasil, acompanhou 1.201 participantes em seis capitais brasileiras — Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Florianópolis, Manaus e Salvador — entre outubro de 2023 e setembro de 2024, com monitoramento até outubro de 2025. Entre os indivíduos recrutados estavam homens gays, pessoas não binárias e homens e mulheres trans, com idades entre 18 e 30 anos. Todos participaram voluntariamente do projeto, que buscava avaliar a eficácia real da estratégia de prevenção na rotina do Sistema Único de Saúde (SUS).

O método de aplicação do cabotegravir consiste em injeções de ação prolongada, que, após as doses iniciais, devem ser feitas a cada dois meses. Em contrapartida, a PrEP oral, que deve ser tomada diariamente, apresenta menor adesão, dificultando a manutenção da proteção consistente. Durante o acompanhamento, foram registradas três novas infecções pelo HIV no grupo do cabotegravir, o que corresponde a uma incidência de 0,20 caso por 100 pessoas ao ano. Na comparação, o grupo que utilizou a PrEP oral teve 18 novas infecções, elevando a incidência para 1,48 casos por 100 pessoas ao ano, demonstrando a maior efetividade do método injetável.

Segundo os responsáveis pelo estudo, a alta adesão às aplicações de cabotegravir — 92% das injeções foram realizadas dentro do prazo previsto — reforça a viabilidade do método na rotina de atendimento do SUS. A pesquisa utilizou um modelo de estudo híbrido de implementação, que avalia não só a eficácia tecnológica mas também seu funcionamento na prática, considerando fatores como a aceitabilidade pelos usuários e a organização dos serviços de saúde. Além disso, o estudo complementa resultados anteriores de ensaios clínicos realizados em ambientes controlados, agora trazendo dados do uso na população jovem brasileira.

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Quanto às perspectivas de acesso, o ministro da Saúde, em julho, anunciou um acordo de preço para o cabotegravir, e, em agosto, o Ministério propôs sua inclusão no SUS à Conitec, órgão responsável por analisar propostas de incorporação de novas tecnologias na rede pública. A expectativa é de que a comissão faça a análise em outubro, permitindo que o método injetável chegue a um número maior de pessoas, potencialmente reduzindo as infecções pelo HIV no país. Ainda não há uma confirmação oficial de sua disponibilização, uma vez que o clube não se pronunciou oficialmente sobre a implementação.

Por ora, a PrEP oral continua disponível de forma gratuita pelo SUS, mas os dados do estudo sugerem que a preferência pelo método injetável pode transformar a estratégia de prevenção no Brasil. Com taxas de adesão mais elevadas e menores incidências de novas infecções, o avanço representa uma esperança concreta na luta contra o HIV, especialmente entre os jovens mais vulneráveis às doenças sexualmente transmissíveis.

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O que sabemos?

  • Estudo da Fiocruz mostrou 90,8% de adesão à PrEP injetável.
  • A incidência de HIV foi de 0,20 caso por 100 pessoas ao ano com injeções.
  • A PrEP oral apresentou 35,5% de adesão e 1,48 casos por 100 pessoas ao ano.
  • O estudo acompanhou 1.201 participantes em seis capitais brasileiras até outubro de 2025.

Fontes

  • G1 imprensa
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