Saúde

Estudo sugere oxibutinina como alternativa para aliviar fogachos no climatério

Informações checadas ?

Medicação, comumente usada para bexiga hiperativa, pode ajudar mulheres na transição hormonal

Ilustração de mulher durante o climatério com ondas de calor ao redor
Imagem: Agência Fiocruz

Pesquisadores da Fiocruz investigam a eficácia da oxibutinina no tratamento de ondas de calor durante o climatério, apresentando resultados promissores em evento internacional.

Um estudo apresentado no 20º Congresso Mundial sobre Menopausa, promovido pela Sociedade Internacional de Menopausa (IMS), no Rio de Janeiro, revelou que a oxibutinina, medicamento tradicionalmente indicado para tratar bexiga hiperativa, pode oferecer uma alternativa não hormonal no alívio dos fogachos — ondas de calor intensas e súbitas que afetam grande parte das mulheres após a menopausa. Pesquisadores da Fiocruz destacaram que, embora a terapia hormonal seja considerada a forma mais eficaz de tratar os sintomas vasomotores durante o climatério, ela nem sempre é indicada em determinadas condições clínicas, o que reforça a busca por opções seguras e acessíveis. Segundo relatos da equipe, a oxibutinina mostrou potencial de atuação dupla, ajudando tanto a reduzir os sintomas urinários quanto os fogachos, uma combinação que pode beneficiar especialmente mulheres que enfrentam ambos os problemas ao mesmo tempo. Ainda não há confirmação oficial de que o medicamento seja aprovado especificamente para esse uso, mas a revisão de estudos publicada pelos autores aponta para uma melhora significativa dos sintomas em diferentes ensaios clínicos, com desempenho superior, em alguns casos, às opções não hormonais atualmente disponíveis. A pesquisa envolveu uma análise de literatura que abrange estudos publicados entre 2007 e 2025, incluindo três estudos primários — dois ensaios clínicos controlados por placebo e uma série retrospectiva — além do posicionamento da Sociedade Norte-Americana de Menopausa, que recomenda a medicação com alto grau de evidência. Apesar dos resultados promissores, os autores reforçam que ainda é necessário realizar estudos específicos em mulheres no climatério com bexiga hiperativa e sintomas vasomotores. A equipe, composta também pelo ginecologista Jorge Elias Neto, da Fiocruz, destacou que um próximo passo será a realização de uma revisão sistemática com protocolo registrado e, posteriormente, um estudo prospectivo voltado exatamente para esse grupo. De acordo com os pesquisadores, a oxibutinina representa uma opção de baixo custo e livre de hormônios, o que pode ser especialmente útil para mulheres que não podem fazer terapia hormonal por contraindicações médicas. A pesquisa foi conduzida com dados de estudos internacionais, todos disponíveis na literatura científica acessada via bases como PubMed e a Biblioteca Virtual em Saúde, sem que tenha sido identificado ainda algum estudo brasileiro sobre o tema. Ainda assim, os resultados atuais indicam que a medicação pode vir a ser uma alternativa promissora para melhorar a qualidade de vida das mulheres no climatério, especialmente aquelas que convivem com os sintomas vasomotores e urinários simultaneamente.

Publicidade

O que sabemos?

  • Estudo apresentado no Congresso Mundial sobre Menopausa
  • Oxibutinina tradicionalmente usada para bexiga hiperativa
  • Pode reduzir frequência e intensidade de fogachos
  • Ainda não há confirmação oficial para uso específico nesse tratamento
  • Necessários mais estudos em mulheres no climatério com bexiga hiperativa e fogachos

Fontes

Publicidade