Saúde

Estudo revela forte ligação entre insegurança alimentar e obesidade entre mulheres no Rio de Janeiro

Em apuração ?

Dados apontam que a vulnerabilidade social impacta significativamente a saúde feminina, mas não a masculina

Mulher em ambiente urbano, representando vulnerabilidade social e saúde
Imagem: G1

Pesquisas mostram que mulheres de famílias com insegurança alimentar têm quase três vezes mais chances de serem obesas, enquanto essa associação não foi confirmada para homens.

Uma nova pesquisa realizada pelo Grupo Interdisciplinar de Estudos em Segurança Alimentar e Nutricional (GISAN), do Instituto de Nutrição Josué de Castro na Universidade Federal do Rio de Janeiro, trouxe dados que podem ajudar a entender uma relação pouco explorada: a ligação entre insegurança alimentar e obesidade, especialmente entre mulheres adultas na cidade do Rio de Janeiro. Segundo a fonte, a pesquisa, que avaliou 1.026 indivíduos com idades entre 20 e 59 anos — excluindo gestantes —, revelou que mulheres que vivem em domicílios com maior grau de insegurança alimentar apresentam uma prevalência de obesidade quase três vezes maior em comparação com aquelas em condições de segurança alimentar. Além disso, o estudo também apontou que o sobrepeso foi significativamente mais alto, 76% maior, entre essas mulheres, refletindo uma vulnerabilidade ampliada. Ainda de acordo com os dados, a associação entre insegurança alimentar e obesidade não foi estatisticamente significativa entre os homens, o que sugere que o impacto dessa condição é diferente dependendo do gênero.

Para realizar a pesquisa, os entrevistadores treinaram uma equipe para coletar informações presencialmente, utilizando a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), que dispõe de 14 perguntas para avaliar a situação de insegurança na alimentação familiar, considerando diferentes níveis de gravidade — leve, moderada e grave. As perguntas focaram na pessoa responsável pela compra e preparo das refeições, que geralmente é o chefe de família. Além das condições de segurança alimentar, os pesquisadores também reuniram dados sociodemográficos, peso e altura dos entrevistados, fatores essenciais para classificar o estado nutricional. Segundo relatos da fonte, os resultados mostraram que a prevalência de obesidade entre mulheres com insegurança alimentar foi de 32,3%, enquanto essa taxa entre aquelas em segurança era bem menor. Ainda conforme a pesquisa, o impacto na saúde feminina mostra-se mais intenso, provavelmente refletindo desigualdades estruturais existentes, como o acesso desigual a recursos produtivos e a sobrecarga de responsabilidades domésticas, que impactam de forma diferenciada homens e mulheres.

Essa vulnerabilidade feminina também é destacada por dados do IBGE, que, em 2023, revelou que cerca de 21,6 milhões de brasileiros enfrentam algum grau de insegurança alimentar, com 3,2 milhões vivendo em situação de fome. Ainda que esses números tenham diminuído em relação a anos anteriores, o estudo reforça que as mulheres continuam mais expostas a esses riscos. Especialistas apontam que fatores sociais e econômicos, como o baixo acesso a recursos e a sobrecarga de funções tradicionais na rotina familiar, contribuem para essa disparidade. No cenário do Rio de Janeiro, uma das maiores economias do país e palco de desigualdades territoriais e sociais, esses indicadores continuam presentes, especialmente nos grandes centros urbanos. Apesar de o estado trabalhar para melhorar a segurança alimentar, essas diferenças internas permanecem como um desafio importante para a saúde pública, sobretudo na tentativa de compreender e combater a propagação da obesidade entre as mulheres mais vulneráveis.

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O que sabemos?

  • A obesidade é quase três vezes maior entre mulheres com insegurança alimentar no Rio de Janeiro.
  • A associação entre insegurança alimentar e obesidade não foi encontrada entre homens.
  • A pesquisa avaliou 1.026 pessoas entre 20 e 59 anos, excluindo gestantes.
  • Dados indicam que 76% mais mulheres com insegurança alimentar têm sobrepeso, comparado às mulheres em situação segura.

Fontes

  • G1 imprensa
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