Saúde

Estudo do INCA aponta relação entre p53 e risco de recidiva no câncer de endométrio

Em apuração ?

Pesquisa revela potencial marcador que pode orientar tratamentos mais precisos

Ilustração de células tumorais com destaque na proteína p53
Imagem: G1

Investigações do INCA identificam a proteína p53 como fator importante na recorrência do câncer de endométrio, uma das doenças ginecológicas mais comuns no Brasil.

Na busca por tratamentos mais eficazes para o câncer de endométrio, o Instituto Nacional de Câncer (INCA), segundo informações de sua equipe de pesquisadores, realizou um estudo que pode abrir caminho para uma abordagem mais personalizada na luta contra a doença. A pesquisa, publicada no periódico internacional Pathology and Oncology Research, analisou 15 anos de atendimentos de pacientes tratadas por esse tipo de câncer, que é o mais frequente no corpo uterino e afeta milhares de mulheres brasileiras todos os anos.

O estudo avaliou 59 pacientes com tumores de alto grau, entre eles carcinoma endometrioide grau 3, carcinoma seroso, carcinoma de células claras, carcinosarcoma e tumores mistos ou indiferenciados. Todos os tumores estavam restritos ao endométrio ou a um pólipo, sem invasão do miométrio, o que geralmente indica um prognóstico melhor. Ainda assim, os pesquisadores cruzaram os dados das amostras com a expressão da proteína p53, considerada a “guardião do DNA”, pelo método de imuno-histoquímica, técnica disponível na maioria dos laboratórios de patologia.

De acordo com o que foi divulgado pelo grupo de estudo, uma das principais conclusões foi que 78% dos tumores apresentavam expressão anormal de p53. Ainda segundo os dados, entre as 56 pacientes consideradas em estágio mais agressivo da doença, nove apresentaram recorrência de câncer, todas elas em pacientes cujo tumor mostrou p53 anormal. Esse padrão sugere que a ausência de invasão ao músculo uterino, que indica um estágio inicial, não garante que o tumor terá comportamento menos agressivo, caso a proteína p53 esteja alterada. Os resultados indicam que, em cinco anos, a taxa de recorrência nesse grupo com p53 anormal é de aproximadamente 23%, sendo que mais da metade das recidivas ocorreram fora da pelve, em órgãos como o abdome ou em locais distantes do útero.

Os pesquisadores destacam que nenhuma paciente cujo tumor apresentou o p53 normal ou “tipo selvagem” teve recidiva dentro do mesmo período, o que reforça a hipótese de que essa proteína pode ser um marcador importante na previsão do comportamento do câncer de endométrio. Ainda não há confirmação oficial de que esse marcador será incorporado na rotina clínica, mas o estudo sugere que esse direcionamento pode ajudar a personalizar os tratamentos, reservando procedimentos mais intensivos para quem apresenta o risco maior de recorrência. Segundo os autores, essa inovação teria impacto direto na melhora do manejo da doença, oferecendo esperança de tratamentos mais precisos e eficientes.

O tema é particularmente relevante em um momento em que o mês de setembro é dedicado à conscientização dos tumores ginecológicos no Brasil, e o INCA reforça a importância do diagnóstico precoce. Como as doenças ginecológicas ainda carregam uma certa distância do conhecimento geral, principalmente na sua fase inicial, essa pesquisa aponta um caminho promissor para identificar pacientes que precisam de atenção especial, contribuindo assim para avanços no combate ao câncer de endométrio e na ampliação do diagnóstico precoce.

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O que sabemos?

  • O estudo analisou 15 anos de dados de pacientes com câncer de endométrio.
  • Focou em tumores de alto grau, incluindo diferentes tipos histológicos.
  • Identificou que 78% dos tumores apresentaram expressão anormal de p53.
  • Pacientes com p53 normal não tiveram recidiva em cinco anos.
  • Recorrências ocorreram principalmente fora da pelve, em órgãos distantes.

Fontes

  • G1 imprensa
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