Estudo revela impacto de diminuir o sono em adultos com risco cardiometabólico
Restrição de cerca de uma hora no sono diário esteve relacionada ao aumento de peso, cintura e comportamento sedentário
Pesquisa indica que reduzir o sono em adultos pode afetar metabolismo e hábitos de vida, aumentando riscos para a saúde.
Um estudo recente conduzido por pesquisadores que analisaram dados de dois ensaios clínicos revelou que diminuir o tempo de sono em adultos que geralmente dormem sete horas ou mais por noite pode ter efeitos negativos no metabolismo e nos comportamentos relacionados à saúde. Segundo a fonte, a pesquisa envolveu 95 participantes com risco aumentado de doenças cardiometabólicas, uma condição que inclui fatores como obesidade, pressão alta e resistência à insulina.
Durante o estudo, os voluntários foram acompanhados em duas fases de seis semanas cada. Na primeira, mantiveram seu padrão de sono habitual, enquanto na segunda passaram a dormir cerca de uma hora a menos por noite, ou seja, pouco mais do que oito horas de sono. A redução no tempo de sono resultou, em média, em um ganho de peso de aproximadamente 450 gramas e um aumento de 0,5 centímetro na circunferência da cintura, além de, ao longo do dia, permanecerem 17 minutos a mais em comportamentos sedentários em comparação ao período de sono normal, segundo dados da pesquisa.
Segundo o endocrinologista Gustavo Daher, do Einstein Hospital Israelita, o estudo possui limitações. Ele destacou que, devido ao número reduzido de pessoas e ao ambiente controlado, não é possível generalizar os resultados para toda a população. "É um estudo com um número pequeno de pessoas, em um ambiente controlado, então não devemos extrapolar de maneira generalista o ganho médio encontrado", afirmou Daher. Ainda assim, ele explicou que o sono participa da regulação de diversos processos no organismo, incluindo a liberação de hormônios como a grelina, que estimula a fome, e a leptina, que promove sensação de saciedade. Com menos horas de sono, essa organização hormonal pode se desalinhar, levando a um aumento na fome e na preferência por alimentos maiscalóricos.
A restrição de sono também impacta na disposição física e mental, levando à fadiga, menor Energia e maior dificuldade em realizar tarefas diárias. O estudo reforça essa relação, já conhecida, de que pessoas que dormem menos tendem a se movimentar menos e a apresentar pior desempenho cognitivo. Além disso, essas alterações no ritmo circadiano — o relógio biológico que regula o ciclo sono-vigília — podem prejudicar a sensibilidade à insulina e o controle da glicose, fatores associados ao desenvolvimento de diabetes tipo 2.
Ao discutir a importância do sono, Daher reforça que ele deve ocupar um espaço semelhante ao de alimentação e atividade física na prevenção e no tratamento de doenças metabólicas, recomendando entre sete e oito horas de sono por noite. Menos de seis horas, segundo ele, pode resultar em prejuízos metabólicos, cognitivos e comportamentais. Vale destacar que não basta apenas dormir a quantidade certa; a regularidade, os horários e a qualidade do sono também são essenciais. Além disso, tentar compensar as horas perdidas nos finais de semana, adotando o conhecido padrão de "jet lag social", não é uma estratégia eficaz, já que o ritmo circadiano necessita de continuidade para funcionar adequadamente, explica o especialista.
O que sabemos?
- Estudo analisou 95 adultos com risco cardiometabólico.
- Redução de cerca de uma hora no sono levou a aumento de 450g de peso e 0,5cm na cintura.
- Participantes ficaram 17 minutos a mais em comportamento sedentário por dia.
- Limitações: número pequeno de pessoas e ambiente controlado, não se pode generalizar.
- Sono influencia a regulação hormonal, apetite, disposição e sensibilidade à insulina.
Fontes
- Superinteressante fonte especializada





