Estudo revela fatores de risco que elevam mortalidade por dengue grave no Brasil
Idade avançada, fragilidade clínica e problemas circulatórios aumentam chances de óbito, segundo pesquisa
Pesquisa do Einstein Hospital identifica que pacientes idosos, frágeis ou com comprometimento circulatório têm maior risco de morrer após internação com dengue grave. O estudo analisou mais de 40 mil casos entre 2015 e 2024.
Um estudo recente conduzido por pesquisadores do Einstein Hospital Israelita trouxe importantes insights sobre os fatores que aumentam as chances de mortalidade entre pacientes com dengue grave que precisam de cuidados intensivos no Brasil. Publicada no periódico científico Journal of Critical Care, a pesquisa analisou um conjunto de mais de 40 mil internações ocorridas entre 2015 e 2024, buscando identificar características que elevam o risco de óbito nesses casos críticos.
Segundo os autores, os fatores de maior impacto foram a idade avançada, a fragilidade clínica dos pacientes e o comprometimento do sistema circulatório. Dados coletados de duas bases nacionais, o registro UTIs Brasileiras (com 32.016 internações em hospitais públicos e privados) e o DATASUS (com 11.241 admissões em unidades públicas), revelaram que as taxas de mortalidade hospitalar variaram bastante, chegando a 8,2% na primeira fonte e 18,6% na segunda. Entre aqueles com mais de 65 anos, as taxas subiram para 14,4% e 30%, respectivamente, indicando que a idade é realmente um fator de risco relevante.
Outro aspecto preocupante foi a condição de fragilidade clínica dos pacientes ao serem internados, o que elevou a mortalidade para 17%. Além disso, o estudo destacou que 35% dos pacientes apresentavam pelo menos uma doença crônica ativa, aumentando a vulnerabilidade diante da dengue grave. Entre os indicativos de pior prognóstico, o comprometimento circulatório, medido pelo uso de medicamentos vasopressores nas primeiras 24 horas de internação, foi um fator especialmente alarmante: a mortalidade nesse grupo atingiu 55,4%. Nesse período inicial, também houve necessidade de ventilação mecânica invasiva (5,8%) e de terapia renal substitutiva, como diálise (1,7%).
Os pesquisadores ressaltaram que os sinais das primeiras 24 horas podem ajudar as equipes médicas a reconhecer rapidamente os pacientes mais critically, possibilitando uma intervenção mais precocemente. A pesquisa reforça a importância de fortalecer os protocolos de triagem e regulação de leitos, especialmente priorizando idosos, pessoas com comorbidades e aqueles com sinais de comprometimento circulatório. Ainda não há provas de que o suporte intensivo por si só seja a causa das mortes, mas a identificação precoce desses fatores pode ser decisiva para melhorar os desfechos. Os autores destacam que, ao focar na vulnerabilidade de certos grupos, o atendimento pode ser otimizado, potencialmente salvando vidas.
O que sabemos?
- Estudo analisou mais de 40 mil casos de dengue grave entre 2015 e 2024
- Principais fatores de risco incluem idade avançada, fragilidade clínica e comprometimento circulatório
- Taxas de mortalidade hospitalar variaram entre 8,2% e 18,6%, mais altas entre idosos
- Reconhecimento precoce dos sinais pode ajudar a reduzir mortes
- Dados foram coletados de bases nacionais: UTIs Brasileiras e DATASUS
Fontes
- CNN Brasil imprensa





