Saúde

Desafios logísticos na manutenção da eficácia das vacinas no Brasil

Em apuração ?

Calor, enchentes e apagões ameaçam o transporte e armazenamento de imunizantes

Posto de vacinação com equipamento de refrigeração sob condições climáticas adversas
Imagem: G1

A cadeia de frio das vacinas brasileiras enfrenta obstáculos cada vez maiores devido às mudanças climáticas e eventos extremos, colocando em risco a eficácia dos imunizantes contra várias doenças.

O Brasil, assim como muitos países, enfrenta dificuldades crescentes para garantir que as vacinas cheguem aos locais de vacinação com sua potência intacta. Segundo informações de uma fonte especializada em imunizações, a rede de frio — o sistema responsável por armazenar e transportar as doses sem que elas percam sua eficácia — tem sido submetida a condições cada vez mais adversas. Essa infraestrutura envolve câmaras frias, caminhões refrigerados e geladeiras específicas nas unidades de saúde, todos mantendo a temperatura constante entre 2°C e 8°C. No entanto, fatores como o aumento de temperaturas fora do padrão, enchentes em algumas regiões e quedas de energia devido a eventos climáticos extremos têm colocado essa cadeia sob forte pressão.

Segundo Paulo Ernesto Gewehr Filho, representante da Sociedade Brasileira de Imunizações no Rio Grande do Sul, a integridade das vacinas depende de uma condição essencial: manter a temperatura controlada. "A rede de frio é o sistema que armazena e transporta as vacinas até os pontos de aplicação sem que elas percam potência, eficácia ou segurança", explicou. Ele acrescentou que, se a temperatura se desvia da faixa ideal, as proteínas que compõem os imunizantes podem sofrer modificações invisíveis a olho nu, comprometendo sua capacidade de proteger contra doenças. Além disso, há o risco de reações adversas em alguns casos.

Outro ponto que preocupa especialistas é a situação de exceção chamada de "excursão de temperatura": quando uma dose exposta a temperaturas inadequadas é avaliada para determinar se ainda pode ser utilizada, sem precisar descartar imediatamente. Ainda não há confirmação oficial sobre a quantidade de vacinas que eventualmente serão reaproveitadas dessa forma, mas o tema tem sido cada vez mais discutido pelo setor. Além disso, o fenômeno do El Niño, que influencia o clima em diversas regiões do Brasil, agrava o desafio. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicam que o fenômeno pode trazer chuvas intensas na região Norte, com risco de enchentes, além de secas e ondas de calor no Sul e Sudeste, zonas que enfrentam temperaturas recordes e altas temperaturas atmosféricas.

O impacto da combinação de calor extremo e eventos climáticos adversos fica claro na prática. Segundo uma fonte que acompanha de perto esses episódios, quanto mais quente o ambiente externo, mais esforços e recursos são necessários para manter os equipamentos de refrigeração funcionando normalmente. Caso haja falta de energia elétrica, que é comum em crises de calor ou devido às enchentes, a temperatura interna das geladeiras e câmaras pode subir rapidamente, comprometendo as vacinas. Foram registrados também episódios mais graves, como o recente caso no Rio Grande do Sul, quando uma enchente atingiu postos de vacinação, submergindo instalações e interrompendo campanhas — uma situação que trouxe à tona a vulnerabilidade do sistema de armazenamento frente às intempéries. Em resposta, equipes locais fizeram campanhas itinerantes, vacinando populações em abrigos e pontos de emergência, na tentativa de evitar o impacto na cobertura vacinal. Ainda assim, especialistas alertam que, além da perda de doses específicas, toda a logística de imunização pode ser comprometida por esses eventos, o que é preocupante para a saúde pública. A preocupação se reforça ao lembrar que as vacinas contra diversas doenças dependem dessa rigorosa cadeia de frio para garantir sua eficácia, e eventos climáticos extremos ameaçam justamente essa garantia, colocando em risco avanços na imunização prevista para o Brasil.

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O que sabemos?

  • A cadeia de frio das vacinas é essencial para manter sua eficácia.
  • Eventos climáticos extremos, como calor, enchentes e apagões, dificultam esse transporte.
  • Aumento das temperaturas e problemas ambientais complicam o armazenamento por mais risco de 'excursão de temperatura'.
  • Campanhas de vacinação foram adaptadas em situações de emergência, como enchentes, com vacinação móvel.

Fontes

  • G1 imprensa
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