Saúde

Cientistas desenvolvem bateria de papel que pode ser engolida e alimenta dispositivos médicos internos

Em apuração ?

Tecnologia busca evitar cirurgias de remoção de baterias em tratamentos internos

Representação de uma cápsula com bateria de papel dentro do sistema gastrointestinal de um porco.
Imagem: Olhar Digital

Pesquisadores criam bateria biodegradável feita de papel que pode ser ingerida para alimentar aparelhos médicos no sistema gastrointestinal, com testes em animais indicando potencial para aplicações temporárias.

Cientistas anunciaram o desenvolvimento de uma bateria de papel que pode ser engolida e utilizada para alimentar dispositivos médicos internos. Ainda sem testes em humanos, o projeto foi realizado por pesquisadores que afirmam que o dispositivo pode revolucionar o tratamento de condições no sistema gastrointestinal, eliminando a necessidade de cirurgias para remover baterias convencionais que alimentam implantes médicos.

Segundo informações de um estudo divulgado por uma fonte especializada, a bateria biodegradável foi produzida em duas versões distintas, uma menor, capaz de caber dentro de uma cápsula de gelatina comum, e outra maior. A versão menor atingiu uma voltagem de aproximadamente 1,77 volt e armazenou cerca de 2 miliampère-hora por centímetro quadrado, enquanto a maior produziu cerca de 1,84 volt e possui capacidade de até 3,5 miliampère-hora. Os testes realizados em laboratórios envolveram a colocação das baterias dentro de cápsulas produzidas por impressão 3D, administradas oralmente a porcos com acompanhamento por endoscópio.

Durante os testes, as baterias funcionaram por até três dias, mas sua tensão e capacidade se degradaram com o tempo, com a maior passando de 1,8 volt inicialmente para aproximadamente 1,6 volt após um dia, chegando a cerca de 1,45 volt no terceiro dia. A versão menor exibiu uma queda de 1,7 volt para aproximadamente 1,35 volt no mesmo período. Um dos dispositivos alimentados por essa bateria menor foi uma etiqueta de identificação por radiofrequência (RFID), que se comunicou com um receptor a até 1,5 metro de distância, permitindo identificar a ingestão de medicamentos pelos porcos. Já a bateria maior impulsionou uma cápsula capaz de estimular eletricamente o estômago, elevando os níveis do hormônio grelina — ligado à sensação de fome — sem causar danos visíveis ao tecido no local.

Apesar da biodegradabilidade dos componentes da bateria, a placa eletrônica utilizada no experimento de estimulação estomacal não era reabsorvível, o que preocupa especialistas. Segundo John Rogers, cientista de materiais da Northwestern University, tornar todas as partes do dispositivo capazes de serem reabsorvidas pelo organismo poderia eliminar riscos de componentes remanescentes no trato gastrointestinal. Ainda assim, disse ele, a redução na vida útil do dispositivo e um controle maior sobre sua degradação continuam sendo desafios enfrentados pelos pesquisadores.

Ainda não há confirmação oficial de que a tecnologia será empregada em humanos, e o clube responsável pelo estudo não se pronunciou oficialmente sobre possíveis aplicações clínicas. O desenvolvimento é visto como um avanço na área de dispositivos ingeríveis, que poderiam possibilitar diagnósticos e tratamentos mais seguros e eficientes, sem intervenções cirúrgicas invasivas. A expectativa é que, com melhorias na capacidade e na previsibilidade da degradação das baterias, esse tipo de tecnologia possa se tornar comum no futuro próximo, facilitando procedimentos médicos temporários dentro do próprio corpo.

Publicidade

O que sabemos?

  • A bateria de papel foi criada por pesquisadores e testada em animais.
  • Existem duas versões da bateria, uma menor e uma maior.
  • A bateria funcionou por até três dias, com degradação gradual da tensão.
  • Foi possível alimentar dispositivos como RFID e cápsulas de estímulo estomacal.
  • A bateria é biodegradável, mas partes eletrônicas usadas nos testes ainda não são totalmente reabsorvíveis.

Fontes

Publicidade