Senador rejeita emendas que tentavam manter escala 6x1 na reforma trabalhista em debate no Senado
Relator da PEC propõe redução da jornada de 44 para 40 horas semanais sem permitir maior flexibilidade na escala de trabalho
Durante análise de mudança na legislação trabalhista, relator da proposta rejeitou emendas da oposição que buscavam manter a escala 6x1, defendendo uma redução padrão de jornada de 40 horas por semana.
Na manhã desta quarta-feira, 2 de maio, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado deu início à análise da PEC 221 de 2019, que propõe acabar com a escala de trabalho 6x1, com seis dias trabalhados seguidos por um de descanso. Segundo informações apuradas junto a fontes oficiais, o relator da proposta, senador Omar Aziz (PSD-AM), rejeitou todas as 36 emendas apresentadas pela oposição, incluindo aquelas que buscavam manter a antiga escala de seis dias de trabalho por apenas um de descanso.
De acordo com Aziz, a rejeição dessas emendas foi motivada pelo fato de permitirem jornadas superiores às 40 horas semanais, o que contraria o objetivo principal da proposta, que é justamente reduzí-la de 44 para 40 horas semanais sem redução salarial. Segundo o senador, o foco é garantir que os trabalhadores possam passar mais tempo com suas famílias, uma preocupação que ele reiterou ao afirmar que "não tenho como acatar" as emendas que aumentam a carga horária além do limite proposto.
Além de rejeitar as emendas que preservavam a escala 6x1, o relator também rejeitou sugestões que pretendiam estender o período de transição para implementação da nova regra de 14 meses para até quatro anos, assim como propostas para postergar a entrada em vigor da alteração por meio de lei complementar, além de propostas de compensações fiscais às empresas. A proposta original, portanto, visa uma mudança estruturante: reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, estabelecendo um período de transição de 14 meses, e garantindo que o descanso remunerado de dois dias por semana não implique em redução salarial.
Durante o debate, alguns senadores defenderam a flexibilidade na implementação da nova legislação. O senador Izalci Lucas, por exemplo, argumentou que "a negociação coletiva se apresenta como o instrumento mais adequado para disciplinar a matéria", defendendo que entradas diferenciadas na escala de trabalho podem ser negociadas entre empregadores e empregados. O mesmo ponto de vista foi destacado pelo senador Oriovisto Guimarães, que reforçou a importância de permitir negociações específicas, ao afirmar que "a negociação coletiva se apresenta como o instrumento mais adequado para disciplinar a matéria".
Por outro lado, o líder da oposição no Senado, senador Rogério Marinho, apresentou uma emenda que propunha a manutenção da escala 6x1, permitindo jornadas por hora trabalhada. Segundo ele, a imposição de uma escala única e a redução compulsória da jornada podem gerar riscos econômicos, como inflação e desemprego, sem garantir aumento de produtividade. A proposta de Marinho visa conservar a flexibilidade de jornadas diferenciadas, mesmo com a redução da jornada padrão para 40 horas semanais.
O relator Omar Aziz destacou que, histórico, o Brasil já passou por uma redução de jornada em 1988, quando a semana de trabalho foi reduzida de 48 para 44 horas, e que o país não teria motivos para temer o impacto de uma nova mudança. Segundo ele, a proposta faz parte de uma tendência internacional de convergência para uma jornada de 40 horas por semana, e reforçou que os direitos do trabalhador, especialmente o de passar mais tempo com a família, estão sendo considerados na fórmula de redução semanal. Ainda não há uma confirmação oficial sobre o andamento do projeto após a rejeição das emendas, mas há expectativa de que a proposta avance para análise no plenário do Senado, dependendo do posicionamento das lideranças governistas.
O que sabemos?
- Relator Omar Aziz rejeitou todas as 36 emendas da oposição.
- Emendas tentavam manter a escala 6x1.
- PEC propõe reduzir a jornada de 44 para 40 horas semanais.
- Razão da rejeição: emendas permitiam jornadas maiores que 40 horas.
- Transição para a nova regra é de 14 meses, também rejeitada para estender por até 4 anos.
Fontes
- Agência Brasil fonte oficial





