Política

Avanços e desafios na inclusão de pessoas com deficiência em Ribeirão Preto

Em apuração ?

Apesar de avanços recentes, cidade ainda enfrenta dificuldades para garantir uma política pública efetiva

Imagem de uma rua de Ribeirão Preto com pessoas em movimento
Imagem: G1

Ribeirão Preto possui cerca de 40 mil pessoas com deficiência, e a criação de uma secretaria específica trouxe melhorias, mas questões como falta de profissionais de apoio permanecem

Ribeirão Preto, uma das maiores cidades do interior de São Paulo, está tentando melhorar suas políticas públicas voltadas às pessoas com deficiência (PCDs), mas ainda enfrenta obstáculos consideráveis. Segundo informações de uma reportagem do g1 Ribeirão Preto e Franca, a cidade abriga aproximadamente 40 mil pessoas com algum tipo de deficiência, o que representa cerca de 5% da população local. Apesar disso, a estrutura de atendimento e inclusão ainda é considerada fragmentada. Uma das principais mudanças no cenário foi a criação, em setembro de 2025, de uma Secretaria Municipal da Cidadania, Pessoa com Deficiência e Inclusão Social, cuja sede foi inaugurada em maio de 2026. Segundo a secretária Dulce Neves, a nova pasta foi um avanço, pois consolidou ações que anteriormente aconteciam de forma dispersa, como atendimentos na Assistência Social e no transporte da Saúde. Com um orçamento inicial de R$ 3,8 milhões, voltado principalmente ao custeio da estrutura, a secretaria atua na articulação entre setores, promovendo uma abordagem mais integrada às necessidades das pessoas com deficiência.

Apesar da criação da secretaria e de acordos para aprimorar a inclusão, a reportagem destaca que ainda há problemas a serem resolvidos. Um deles é o déficit de profissionais de apoio na rede municipal de ensino, um aspecto que prejudica a formação de uma educação inclusiva de qualidade. Ainda de acordo com a matéria, desde o ano passado, Ribeirão Preto firmou parcerias com associações, abriu processos seletivos para contratar servidores especializados e fechou acordos com o governo estadual, como o que prevê a implementação do Centro TEA Paulista, um projeto que deve receber um investimento de R$ 20 milhões para oferecer suporte às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). No entanto, esses avanços ainda não ganharam total consistência devido às dependências de recursos externos e à necessidade de uma coordenação mais efetiva.

Segundo especialistas ouvidos na matéria, como o professor de gestão pública da USP, Leonardo Terra, é fundamental que os avanços no papel tenham uma implantação sistêmica, com orçamento consolidado, formação de recursos humanos e maior coordenação entre setores. Ele explica que a criação de uma secretaria dedicada é um passo importante, mas que o sucesso depende de ações integradas e sustentáveis. A secretária Dulce Neves também reforça que a atuação da pasta não presta o serviço direto à ponta, mas trabalha na elaboração de políticas públicas e na promoção da transversalidade, ou seja, a articulação entre diferentes setores da administração municipal para garantir que os direitos das PCDs sejam efetivados.

Embora os passos já dados sejam considerados positivos, o cenário indica que a cidade ainda precisa avançar bastante para alcançar uma inclusão plena. Ainda não há confirmação oficial de todas as ações planejadas, e a reportagem ressalta a importância de uma gestão com orçamento próprio e planejamento de longo prazo. O que é certo é que Ribeirão Preto está na trajetória de uma transformação que, se bem coordenada, pode beneficiar milhares de cidadãos que enfrentam diariamente obstáculos para uma vida mais acessível e digna.

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O que sabemos?

  • Cidade criou uma secretaria exclusiva para PCDs em 2026.
  • Ribeirão Preto possui cerca de 40 mil pessoas com deficiência, 5% da população.
  • Orçamento inicial da secretaria é de R$ 3,8 milhões.
  • Projeto do Centro TEA Paulista prevê investimento de R$ 20 milhões.
  • Falta de profissionais de apoio na rede municipal de ensino é um dos problemas atuais.

Fontes

  • G1 imprensa
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