Política

Portugal investiga uso da base aérea dos Açores pelos EUA em conflito com o Irã

Informações checadas ?

Denúncia de partido de oposição levou o país a questionar legalidade de operações militares externas

Bases militares nos Açores, Portugal, com alertas militares ao fundo
Imagem: Folha de S.Paulo

A Procuradoria-Geral de Portugal abriu uma investigação sobre a autorização dada pelo governo para que os Estados Unidos utilizassem a base aérea das Lajes, nos Açores, durante o conflito com o Irã. Parlamentares do Bloco de Esquerda denunciaram o uso da base, que pode ter violado acordos internacionais.

Na manhã deste sábado (3), a Procuradoria-Geral da República (PGR) de Portugal anunciou a abertura de uma investigação para apurar a legalidade do uso da Base Aérea das Lajes, localizada nos Açores, pelos Estados Unidos durante o conflito com o Irã. A medida foi tomada após uma denúncia do partido de oposição, o Bloco de Esquerda, que apontou que o governo português autorizou voos americanos na base apesar de ainda estar em período de paz.

Segundo a própria PGR, a investigação foi motivada por essa denúncia apresentada pelos parlamentares. Ainda não há confirmação oficial sobre detalhes específicos da autorização ou eventuais violações legais, mas a situação gerou um intenso debate político no país. Assim como na Espanha, que proibiu esses voos, Portugal possui um acordo antigo com os EUA que permite a utilização da base sem necessidade de autorização prévia em tempos de paz; no entanto, para operações em guerra, é preciso o aval de Lisboa.

De acordo com informações divulgadas, o acordo em vigor permite que Washington utilize a estrutura em situações de conflito, desde que o governo português conceda autorização após o início das hostilidades. Até o momento, o Ministério das Relações Exteriores de Portugal não quis se pronunciar oficialmente. O ministro das Relações Exteriores, Paulo Rangel, afirmou que o país está agindo em conformidade com o direito internacional, e que o uso da base pelos EUA foi autorizado, segundo ele, com garantias de que as operações seriam defensivas, necessárias, proporcionais e limitadas a ataques militares específicos.

Apesar dessas declarações, a controvérsia persiste, sobretudo entre os partidos de oposição, que veem o episódio como uma possível violação de acordos internacionais e uma maior participação de Portugal em assuntos militares ligados ao conflito no Oriente Médio. Ainda não há, até agora, confirmação oficial de que esses voos tenham sido utilizados em operações específicas, mas a investigação aberta pela PGR marca um momento de tensão política e jurídica no país.

Este episódio coloca em evidência o delicado papel de Portugal em questões de segurança internacional e a complexidade dos acordos militares de longo prazo com os Estados Unidos, especialmente em contextos de conflito. Os desdobramentos da investigação ainda não estão claros, e a sociedade permanece atenta às próximas ações do governo e às possíveis repercussões dessa controvérsia para a política externa portuguesa.

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O que sabemos?

  • A Procuradoria-Geral de Portugal abriu uma investigação sobre o uso da base das Lajes pelos EUA.
  • A denúncia foi feita pelo partido de oposição, o Bloco de Esquerda.
  • Portugal tem um acordo de longa data com os EUA que permite o uso da base sem autorização prévia em tempos de paz.
  • Para operações de guerra, é necessário o aprovação do governo português.
  • O Ministério das Relações Exteriores não confirmou oficialmente o uso da base em operações de conflito.

Fontes

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