Por que os americanos ainda preferem cédulas de papel nas eleições de meio de mandato?
Sistema eleitoral descentralizado e cultura explicam a persistência do voto em papel nos EUA
Nos Estados Unidos, o uso de cédulas de papel na votação para as Eleições de Meio de Mandato prevalece, apesar do avanço das urnas eletrônicas. A ausência de um órgão central que gerencie todo o processo e a forte tradição cultural explicam essa realidade, que difere do Brasil.
Ao observar as eleições nos Estados Unidos, é comum a surpresa de brasileiros ao verem o voto ainda sendo feito em cédulas de papel. Apesar de o país também adotar sistemas eletrônicos em algumas jurisdições, o método predominante é o do papel, que continua a dominar nas seções eleitorais. Segundo uma fonte ligada ao estudo do sistema eleitoral americano, mais de 98% das jurisdições utilizam cédulas de papel ou sistemas com registro verificado em papel, uma tendência que, de acordo com a mesma fonte, tem crescido nos últimos anos.
Essa preferências pelo voto em papel pode parecer estranha num mundo altamente digitalizado, mas ela é explicada por fatores históricos e institucionais. Diferentemente do Brasil, onde o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) organiza e padroniza o sistema eleitoral nacional, nos Estados Unidos não há uma entidade central que coordene esse processo em todo o território. Cada um dos 50 estados, além de condados e cidades, controla suas próprias eleições, escolhendo os equipamentos e métodos que melhor se adequam às suas necessidades. Essa diversidade é vista por especialistas como uma vantagem de segurança, pois impede que uma única vulnerabilidade comprometa o sistema inteiro.
Além disso, a cultura política e a história contribuem para a resistência ao uso de urnas eletrônicas. Nos anos 1970 e 1980, diferentes modelos de urnas eletrônicas foram testados, mas uma desconfiança se instalou após as eleições presidenciais de 2000,quando o sistema eletrônico foi questionado por ter causado dúvidas sobre a integridade do processo eleitoral. Segundo informações extraídas de uma fonte que acompanha o tema, essa insegurança cresceu especialmente após aquela disputa entre os candidatos George W. Bush e Al Gore, levando muitos eleitores a preferirem métodos tradicionais.
Nos Estados Unidos, o eleitor tem três opções de votar: pelo correio — que exige justificativa —, antecipadamente, ou presencialmente no dia da eleição. Mesmo com o avanço de tecnologias, a maioria das cédulas são digitalizadas por scanners ópticos, que leem e contabilizam os votos impressos de forma rápida. Algumas jurisdições usam urnas eletrônicas, que além de processar os votos eletronicamente, possuem um sistema de auditoria em papel verificável, que imprime a escolha do eleitor e fica retido no local, permitindo conferências posteriores e aumentando a segurança do processo.
Assim, enquanto o Brasil investe massivamente na urna eletrônica, o sistema americano privilegia a diversidade e a tradição, fatores que, segundo os especialistas, ajudam a manter a confiança no resultado eleitoral mesmo diante de tecnologias mais modernas.
O que sabemos?
- Nos EUA, mais de 98% das jurisdições usam cédulas de papel ou sistemas com registro em papel verificado.
- Ao contrário do Brasil, os EUA não possuem uma entidade central que organiza as eleições nacionais; cada estado decide seu sistema eleitoral.
- Urnas eletrônicas são utilizadas por algumas localidades, mas representam uma minoria das votações.
- A eleição de meio de mandato será realizada em 3 de novembro, com opções de votação por correio, antecipada ou presencial.
Fontes
- CNN Brasil imprensa





