Uso de nomes de familiares por candidatos na eleição de 2026 não garantiu vitórias, aponta levantamento
Poucos candidatos que solicitaram referências familiares em seus nomes de urna foram eleitos
Segundo dados divulgados pelo G1, maioria dos candidatos que usaram nomes de parentes ou aliados no pleito não conseguiu se eleger em 2026. Apenas oito conquistaram vaga, com destaque para uma estreante no Senado.
Uma análise recente realizada pelo portal G1 revelou que, na eleição de 2026, a maioria dos candidatos que decidiram incorporar nomes de familiares ou aliados ao seu nome de urna não obteve sucesso nas urnas. Do total de 39 candidatos identificados por essa prática, apenas oito saíram vencedores, o que representa cerca de 20% do total. Entre os eleitos, predominava a presença de candidatos com experiência política anterior, mas a única surpresa foi a vitória de uma estreante, ela própria usando um nome de referência relacionada ao cônjuge. Segundo a fonte, essa estratégia parece não ser um fator decisivo para garantir votos, especialmente considerando que candidatos experientes também não se saíram bem na maioria das vezes.
Segundo a análise, entre os vencedores estão nomes conhecidos de diversos estados que já tinham percurso na política: Ícaro de Valmir, reeleito deputado federal por Sergipe; Ibrain de Valmir, reeleito deputado estadual também em Sergipe; João de Nadegi, reeleito deputado estadual em Pernambuco; Hassan de Zé Cocá, deputado estadual na Bahia; Davi de Raimundão, reeleito deputado estadual no Ceará; Paulinho do Bonifácio, eleito deputado estadual no Tocantins; além de Leandro do Waguinho, que foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro. Destes, sete tinham trajetória política consolidada, enquanto a única nova integrante que venceu foi Marina JHC, que conquistou uma vaga no Senado pelo Pará. Segundo ela, essa vitória se deu após usar o nome do marido, o governador eleito de Alagoas.
Outro dado importante é que vários desses candidatos que usaram nomes de parentes ou aliados possuem ligação familiar com políticos de destaque. Por exemplo, Ícaro de Valmir é filho de Valmir de Francisquinho, também em evidência na política sergipana, e seu nome na urna faz referência ao pai. Assim como ele, Ibrain de Valmir é filho do líder Valmir Monteiro, e João de Nadegi é filho da ex-prefeita de Camaragibe. Na Bahia, Hassan de Zé Cocá resolveu usar o nome do ex-prefeito Zenildo Brandão Santana, conhecido como Zé Cocá. Quanto aos candidatos que não conseguiram se reeleger, mesmo com experiência anterior, como Daniela do Waguinho e Lívia de Chiquinho, a estratégia de usar nomes de familiares parece não ter sido suficiente para garantir uma vaga, reforçando a impressão de que outros fatores influenciam mais na escolha do voto.
Segundo especialistas ouvidos pelo portal, a prática de incluir nomes de familiares no nome de urna é comum, mas sua efetividade para conquistar votos ainda é duvidosa. Além disso, o levantamento aponta que nomes de aliados também são utilizados, como no caso de Leandro do Waguinho, que usou o nome de Wagner dos Santos Carneiro, Waguinho, ex-prefeito de Belford Roxo. No total, a análise indicou que 32 candidatos faziam referência a familiares e dois a aliados. Ainda assim, a maioria dos que optaram por essa estratégia não conseguiu vencer, indicando que recursos familiares ou estratégicos podem não ser suficientes sem uma trajetória política consolidada ou uma campanha forte.
O fenômeno revela que, mesmo em uma eleição competitiva, fatores como experiência, popularidade e recursos ainda pesam mais na balança do que esse tipo de estratégia de nomes. E apesar de alguns candidatos estreantes conseguirem fazer uso dessa tática, os números mostram que a maioria ainda não foi beneficiada por ela. Ainda não há uma confirmação oficial sobre se essa tendência se repetirá em próximas eleições, mas o tema promete gerar debates sobre o uso de nomes na política e suas implicações na formação do voto.
O que sabemos?
- Maioria dos candidatos que usaram nomes de parentes ou aliados no nome de urna não se elegeu.
- Apenas 8 de 39 candidatos identificados por essa estratégia foram eleitos.
- Entre os eleitos, 7 tinham trajetória política prévia; única estreante foi Marina JHC, que conquistou vaga no Senado.
- Muitos candidatos vencedores têm ligação familiar com políticos conhecidos.
- Candidatos experientes também não garantem vitória ao usarem nomes de parentes ou aliados.
Fontes
- G1 imprensa



