Lula fala em exploração de petróleo na margem equatorial durante discurso na ONU
Presidente reafirma continuidade na pesquisa de novas reservas em área ambientalmente sensível
Durante sua participação na Assembleia Geral da ONU, Lula destacou o compromisso do Brasil em buscar novas reservas de petróleo, incluindo na margem equatorial, mesmo em meio a debates globais sobre sustentabilidade.
Na manhã desta terça-feira (22), durante sua fala na Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente Lula abordou temas ligados ao meio ambiente e à exploração de petróleo, reforçando a intenção do Brasil de continuar pesquisando novas reservas do combustível fóssil, incluindo na região da margem equatorial brasileira. Segundo Lula, "conquistamos nossa autossuficiência em petróleo e seguiremos pesquisando o potencial de novas reservas, como a da margem equatorial. Não renunciaremos à agenda ambiental".
O discurso do presidente chamou a atenção por aproximar a questão ambiental do desenvolvimento econômico, uma postura que tem gerado debates no país. Lula também reforçou o compromisso com a redução de desmatamento na Amazônia, citando que a queda no desmatamento atingiu seu menor nível em 11 anos. Segundo ele, "a floresta vale mais em pé do que destruída", e a redução foi possível com ações coordenadas sob a liderança de Marina Silva, que atualmente é candidata ao Senado por São Paulo e foi à frente do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Lula ainda afirmou que o Brasil tem a "autoridade moral" para rejeitar medidas protecionistas disfarçadas de ações ambientais, em referência às taxas impostas pelos Estados Unidos, alegando que o país vem priorizando a exploração sustentável de seus recursos naturais.
Outro destaque do discurso foi a menção ao chamado "mapa do caminho" para o fim dos combustíveis fósseis, um plano global de transição energética que o Brasil prometeu apresentar em novembro, dentro do contexto da COP30, realizada no ano passado em Belém. Lula declarou que o documento indicará como as nações podem abandonar o uso de petróleo, carvão e gás, promovendo uma transição para fontes renováveis, diante de tensões geradas pela ausência de menção a esses combustíveis no acordo final da conferência climática.
Por fim, Lula reforçou o papel do Brasil como referência em energia verde e destacou a presença de minerais críticos e terras raras no país, essenciais para a transição energética mundial. Ele afirmou que esses recursos naturais pertencem ao povo brasileiro e serão explorados de forma a beneficiar a população. Ainda não há confirmação oficial de que o governo esteja autorizando ou planejando a exploração na área da margem equatorial, especialmente na bacia da Foz do Amazonas, que é considerada ambientalmente sensível, despertando preocupações entre pesquisadores e ambientalistas.
O tema dos interesses energéticos do Brasil na região é antigo e, até o momento, não foi confirmado oficialmente pela Petrobras ou por órgãos ambientais sobre a realização de atividades de exploração na área. A questão permanece sob análise e aguarda definições futuras, enquanto a possibilidade de vazamentos que poderiam afetar ecossistemas costeiros continua a ser uma preocupação dos especialistas e de ativistas ambientais, que cobram cautela na condução dessa pauta.
O que sabemos?
- Lula afirmou que o Brasil continuará pesquisando novas reservas de petróleo, incluindo na margem equatorial.
- Discurso ocorreu na Assembleia Geral da ONU em 22 de setembro.
- Lula reforçou o compromisso com a redução do desmatamento na Amazônia, que atingiu seu menor nível em 11 anos.
- Foi mencionado um plano internacional para acabar com o uso de combustíveis fósseis, previsto para ser apresentado em novembro.
- O Brasil é destaque na presença de minerais críticos e terras raras para a transição energética mundial.
Fontes
- Folha de S.Paulo imprensa





